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domingo, 14 de maio de 2017

Morre Antonio Cândido aos 98 anos

























São Paulo 
12 de Maio 2017

O crítico literário e sociólogo Antonio Cândido morreu em São Paulo na madrugada desta sexta-feira (12) aos 98 anos.

Pioneiro da crítica literária brasileira

Antonio Cândido foi um dos mais importantes críticos literários brasileiros. Ele nasceu no Rio de Janeiro em 24 de julho de 1918, filho do médico Aristides Cândido de Mello e Souza e Clarisse Tolentino de Mello e Souza. 

Na infância, não estudou em escolas e foi educado em casa tendo a mãe como professora. Ainda criança, ele se mudou para Poços de Caldas (MG) e depois para São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. Cândido também viveu na França entre 10 e 12 anos.

Em 1937, iniciou os cursos de Direito e de Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP). Quatro anos depois se formou em Ciências Sociais. 

Iniciou a carreira como crítico literário nos anos 40, tendo escrito para jornais como "Folha da Manhã", "Diário de São Paulo" e "O Estado de São Paulo". 

Tornou-se livre-docente de literatura brasileira em 1945 e doutor em Ciências em 1954. Em 1974 passou a ser professor titular de teoria literária e literatura comparada da USP, cargo em que se aposentou em 1978. 

Obras mais importantes

De suas obras de crítica literária, a mais importante é "Formação da Literatura Brasileira", de 1959, sobre os momentos decisivos da formação do sistema literário brasileiro. 

Também foi importante graças a seus estudos sociológicos. Analisou o "caipira paulista e sua transformação" em "Os parceiros do Rio Bonito" (1964). 

Ao lado de outros intelectuais brasileiros, entre eles Sérgio Buarque de Holanda (1902/1982), Antonio fez parte da criação do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980. 

Prêmios

Em 1998, recebeu o Prêmio Camões, concedido pelos governos do Brasil e de Portugal, em Lisboa. 

Em 2005, ganhou o Prêmio Internacional Alfonso Reyes, no México.  

Cândido ganhou também quatro vezes o Prêmio Jabuti, o mais importante no Brasil. Venceu por "Formação da Literatura Brasileira" (1960), "Os parceiros do Bonito" (1965), "Brigada ligeira e outros escritos" (1993), e a estatueta de personalidade do em 1966.

Antonio cândido também foi professor-emérito da USP e da UNESP e doutor honoris causa da Unicamp, de Campinas (SP), além de professor honorário de Estudos Avançados da USP. 

Livros fundamentais para entender o Brasil

Em 2000, Antonio Cândido publicou na revista "Teoria e Debate" uma lista com os 11 livros que ele considerava fundamentais para quem deseja conhecer o Brasil. 

Mesmo reconhecendo que a tarefa era um pouco ingrata e que deixaria muita coisa boa de fora, ele se propôs a apontar aqueles que, na sua opinião, abordariam aspectos fundamentais sobre o Brasil para que desejasse "adquirir boa informação a fim de poder fazer reflexões pertinentes, mas sabendo que se trata de uma amostra'.

Eis os livros:

1. "O Povo Brasileiro" de Darcy Ribeiro -  "livro trepidante, cheio de ideias originais, que esclarece num estilo movimentado e atraente o objetivo expresso no subtítulo". 

2. "Raízes do Brasil" de Sérgio Buarque de Holanda - "análise inspirada e profunda do que se poderia chamar a natureza do brasileiro e da sociedade brasileira a partir da herança portuguesa, indo desde o traçado das cidades e a atitude em face do trabalho até a organização política e o mode de ser."

3. "História dos Índios do Brasil" organizada por Manuela Carneiro da Cunha -  “redigida por numerosos especialistas, que nos iniciam no passado remoto por meio da arqueologia, discriminam os grupos linguísticos, mostram o índio ao longo da sua história e em nossos dias, resultando uma introdução sólida e abrangente". 

4. " Ser escravo no Brasil" de Kátia de Queirós Mattoso - uma excelente visão geral desprovida de aparato erudito, que começa pela raiz africana, passa à escravização e ao tráfico para terminar pelas reações do escravo, desde as tentativas de alforria até a fuga e a rebelião”.

5. "Casa Grande e Senzala" de Gilberto Freyre - “Verdadeiro acontecimento na história da cultura brasileira, ele veio revolucionar a visão predominante, completando a noção de raça (que vinha norteando até então os estudos sobre a nossa sociedade) pela de cultura; mostrando o papel do negro no tecido mais íntimo da vida familiar e do caráter do brasileiro; dissecando o relacionamento das três raças e dando ao fato da mestiçagem uma significação inédita”.

6. "Formação do Brasil Contemporâneo, Colônia" de Caio Prado Júnior - “É admirável, neste outro clássico, o estudo da expansão demográfica que foi configurando o perfil do território – estudo feito com percepção de geógrafo, que serve de base física para a análise das atividades econômicas (regidas pelo fornecimento de gêneros requeridos pela Europa), sobre as quais Caio Prado Júnior engasta a organização política e social, com articulação muito coerente, que privilegia a dimensão material”.

7. "A América Latina, Males de Origem" de Manuel Bonfim - “depois de analisar a brutalidade das classes dominantes, parasitas do trabalho escravo, mostra como elas promoveram a separação política para conservar as coisas como eram e prolongar o seu domínio”.

8. "Do Império à República" de Sérgio Buarque de Holanda - “expõe o funcionamento da administração e da vida política, com os dilemas do poder e a natureza peculiar do parlamentarismo brasileiro, regido pela figura-chave de Pedro II”.

9. "Os Sertões" de Euclides da Cunha - “livro que se impôs desde a publicação e revelou ao homem das cidades um Brasil desconhecido, que Euclides tornou presente à consciência do leitor graças à ênfase do seu estilo e à imaginação ardente com que acentuou os traços da realidade, lendo-a, por assim dizer, na craveira da tragédia”.

10. " Coronelismo, Enxada e Voto" de Vitor Nunes Leal - “análise e interpretação muito segura dos mecanismos políticos da chamada República Velha”.

11. "A Revolução Burguesa no Brasil" de Florestan Fernandes - “uma obra de escrita densa e raciocínio cerrado, construída sobre o cruzamento da dimensão histórica com os tipos sociais, para caracterizar uma nova modalidade de liderança econômica e política”.

fontes:  Página Cinco
             G1

quinta-feira, 5 de junho de 2014

[ Aula Resumo ] Literatura Brasileira: Modernismo 3a Fase (Geração Pós-1945)



Como visto aqui no Missão Diplomatica, o Modernismo passou por diferentes fases. Veja os posts: Modernismo Fase 1, Modernismo Fase 2 - Poesia de 30 e Modernismo Fase 2 - Romance de 30.

Fechando o ciclo sobre o Modernismo no Brasil, vamos hoje abordar um pouco da sociedade e da cultura brasileira no período democrático, entre 1946 e 1964, e no final um resumo dos principais autores e obras da 3a Fase do Modernismo. 

As décadas de 1920 e 1930
   
O 1o período foi de 1922 até 1930, sendo uma fase de contestação dos valores conservadores característicos do século XIX Imperial e da início do século XX da República Velha.

O 2o período foi de 1930 até 1945, sendo uma fase de busca dos autores para consolidar as conquistas da geração da Semana de Arte de 1922, sem a preocupação de desconstrução do passado mas sim em pavimentar o caminho para uma nova estética artística.

Os artistas da 2a geração modernista viveram um período histórico bastante conturbado, tanto no mundo, assolado pela crise econômica de 1929, regimes autoritários e a 2a Guerra Mundial, quanto internamente no Brasil, também castigado pela crise econômica, com conflitos internos, guerra civil e o autoritarismo do Estado Novo de Vargas.

Com o final da 2a Guerra Mundial veio também o fim do Estado Novo brasileiro. Esta conjuntura gerou as condições para uma nova fase nas artes brasileiras, sendo o período pós-1945 conhecido como 3a Fase do Modernismo, ou por alguns Pós-Modernismo.

Novos Tempos na Sociedade e na Cultura

Os anos de 1940, 1950 e 1960 foram de grandes mudanças, grandes expectativas e a percepção de início de uma nova fase na história para o Brasil.

O rádio vivia o seu auge, com grandes estrelas populares como Emilinha Borba e Marlene - as rainhas do rádio. Grandes estrelas da música como Angela Maria, Cauby Peixoto, Dalva de Oliveira, Nelson Gonçalves, Sílvio Caldas e Francisco Alves, somente para citar alguns dos mais famosos, faziam enorme sucesso em todo o país.

A década de 1950 viu chegar a televisão no Brasil. Assis Chateaubriand funda a TV Tupy em São Paulo e em setembro de 1950 é realizada a primeira transmissão de TV no Brasil.

A música erudita de Villa-Lobos, fortemente vinculada ao Estado Novo de Getúlio, dá espaço para uma nova forma de música que conquista o mundo: a Bossa-Nova.

O novo ritmo musical se identifica tanto com o governo JK, que o presidente Juscelino chega a ser chamado de "presidente bossa-nova".

A bossa-nova representa a nova classe média brasileira e ao misturar o jazz com o samba simboliza o projeto desenvolvimentista brasileiro que procura fazer o mesmo no plano financeiro para industrializar o país, unindo capital estrangeiro com capital privado.

O cinema também se consolida nesta época. Companias como Vera Cruz e Atlântida formam as bases para profissionalização da arte cinematográfica no Brasil, desembocando no Cinema Novo no final dos anos 1950 e início dos anos 1960.

O ano de 1963 é o marco do Cinema Novo com o lançamento de filmes como Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos e Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha.

A Imprensa e o Jornalismo também se transformam. O modelo predominante Francês de se fazer  jornalismo, com intelectuais e eruditos em longas digressões filosóficas, dá lugar ao jornalismo norte-americano com jornalistas mais preocupados em retratar a informação, de forma ágil e objetiva.

Ao lado da Bossa-Nova e do futebol, a arquitetura desponta como um dos símbolos do "país do futuro".

A construção de Brasília transforma Oscar Niemayer como o arquiteto mais famoso do mundo em seu tempo.

Brasília era a síntese do Plano de Metas de JK, o mais bem-sucedido modelo de planificação econômico do Brasil contemporâneo.

O simbolismo das estruturas de Brasília vão além de belos edifícios e monumentos. Na Praça dos Três Poderes percebe-se a centralidade geométrica do Congresso Nacional em relação aos demais poderes.

É o cockpit do avião que encabeça seu eixo monumental. Quem pilota a aeronave Brasil é o povo. É o urbanismo celebrando a democracia.

Novos tempos na Literatura

Grandes nomes da obra literária brasileira, no âmbito das Ciências Sociais, produzem parte fundamental de suas obras neste período.

Gilberto Freyre publica Sobrados e Mocambos em 1951; Caio Prado Jr, Evolução Política no Brasil, em 1954; Raymundo Faoro, Os Donos do Poder, em 1958; Sérgio Buarque de Holanda, Visões do Paraíso (1959), Celso Furtado, Formação Econômica do Brasil, em 1959 e, Florestan Fernandes, Mudanças Sociais no Brasil, em 1960. Somente alguns dos exemplos importantíssimos dessa época.

O Concretismo desponta na poesia, com as obras dos irmão Campos - Haroldo e Humberto - e de Décio Pignatari. A poesia no Concretismo valorizava a forma.

Percebe-se mais uma vez a relação da arte com o seu momento presente. No Concretismo, percebe-se a metáfora artística para as transformações socio-econômicas-culturais por que passa o Brasil da época.

O Manifesto Concretista tem inspiração no Manifesto Comunista, e tem a pretensão de despir o poeta da mística de gênio inspirado, para aproximá-lo do povo. O poeta concertista é um operário da construção civil poética e as palavras, seus tijolos.

Ainda na poesia, Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes, dois dos nomes mais proeminentes da 2a Fase Modernista, se renovam com os novos tempos e passam a retratar mais o cotidiano, o popular e o social.

A poesia tem em João Cabral de Melo Neto seu maior expoente nesta fase.

João Cabral retrata de forma direta e com imagens muito nítidas a realidade do sertanejo nordestino, suas vicissitudes e a constante presença da morte, em Vida e Morte Severina.

Na prosa, Guimarães Rosa e Clarice Lispector se destacam com outras revoluções na produção literária.

Clarice com textos intimistas e reflexões existenciais.

Rosa apresenta o universo sertanejo através de inovação sem precedentes na forma e na linguagem, além de vanguarda no tema com a obra Grande Sertão: Veredas.

Rosa e Clarice representam o chamado romance psicológico, que demonstrava o esgotamento do "ciclo" regionaliza iniciado na década de 1920.

Veja a seguir mais uma Aula Resumo de Literatura brasileira, explorando um pouco mais da obra de João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector e Guimarães Rosa, complementando este resumo sobre a Sociedade e Cultura do período democrático (1946 a 1964).





fontes: 1 História do Brasil - Bóris Fausto 
            2 Manual do Candidato (FUNAG) História do Brasil - 2013
       
            3 aulalivre.net    

 
     

quinta-feira, 29 de maio de 2014

[ Aula Resumo ] Literatura - Modernismo 2a Fase: Romance de 30 (1930 a 1945)






































As décadas de 1930 e de 1940 foram de explosão para o romance brasileiro. 

O momento é de instabilidade, com grave crise econômica, guerras, conflitos sociais e autoritarismo tanto no Brasil como em boa parte do mundo. Os autores brasileiros se mostram preocupados em denunciar a miséria e as dificuldades em que vivia o povo. 

Enquanto a poesia da geração de 30 se preocupou em resgatar o lirismo e intimismo poético, a prosa de 30 foi marcada por um maior preocupação de retratar o Brasil, seu povo e suas diferenças regionais.

Nesta chamada Segunda Fase do Modernismo Brasileiro, autores como Jorge Amado, Graciliano Ramos e Érico Veríssimo traduziram essa brasilidade através de romances com temática social e especialmente através de romances regionalistas.

Jorge Amado, registra em seus romances o ponto de vista das classes marginalizadas da sociedade na Bahia do início do século. O processo de conscientização política de seus personagens no decorrer de seus romances, registra o engajamento político do então jovem autor.

Graciliano Ramos tem em Vidas Secas, romance publicado em 1938, uma de suas maiores obras, retratando a penúria do povo retirante da seca nordestina. 

Mais tarde, em 1953, Graciliano viria a registrar em Memórias do Cárcere, o período em que esteve preso pela ditadura do Estado Novo de Vargas. 

Já Érico Veríssimo, produz obra épica com a trilogia O Tempo e o Vento, onde registra 200 anos da história do Rio Grande do Sul, contado pela estória de uma família tradicional gaúcha entre 1745 e 1945. 

Veríssimo também produz poemas urbanos retratando a Porto Alegre e sua classe média dos anos 1930 e 1940. 

Veja, a seguir, mais informações sobre estes autores e suas principais obras em mais uma Aula Resumo de Literatura Brasileira: 2a Fase do Modernismo: Romance de 30. 



fontes: 1 aulalivre.net
            2 Obras reunidas de Jorge Amado
            3 Obras reunidas de Graciliano Ramos
            4 Obras reunidas de Érico Veríssimo  

quarta-feira, 28 de maio de 2014

[ Aula Resumo ] Literatura - Modernismo 2a Fase: Poesia de 30 (1930 a 1945)

Bandeira, Drummond, Cecília e Vinícius 



























Após a fase de desconstrução da antiga estética artística e de toda a rebeldia da geração de 1920, o movimento modernista passa para uma segunda fase, menos preocupada em romper com a antiga ordem.

A chamada Geração de 30 na literatura brasileira, é uma geração de autores interessados em consolidar as conquistas dessa nova estética modernista, mas sem lançar mão dos exageros expressos na década de 1920.

Na poesia, autores como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e Vinícius de Moraes retornam para os temas tradicionais da poesia, ao intimismo e às dúvidas existenciais.

Manuel Bandeira retrata seus sofrimentos e o convívio com a doença e a sempre iminente presença da morte.

Drummond, nesta fase, se mostra já um autor multifacetado e que busca inspiração em temas diversos como a sátira, a metapoesia, mas também intimista, discutindo questões existenciais e em busca do autoconhecimento.

A poesia delicada e feminina de Cecília Meireles, em certo momento dá espaço para a elaboração de uma densa obra histórica, com o projeto épico do Romanceiro da Inconfidência. 

Vinícius de Moraes já na década de 1930 aparece como grande nome na poesia brasileira. Em uma primeira fase de sua obra, mostra temática simbolista, com alusão mística e quase religiosa. 

Veja abaixo, em mais uma Aula Resumo sobre literatura, mais detalhes sobre a poesia desta época. As principais obras destes autores organizadas em slides para revisão rápida e referência para estudos. 
 



 fontes:  1 aulalivre.net
             2 Obras reunidas de Carlos Drummond de Andrade
             3 Obras reunidas de Cecília Meirelles
             4 Obras reunidas de Vinícius de Moraes 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

[ Aula Resumo ] Literatura: Modernismo 1a Fase (1922 a 1930)


A década de 1920 é marcada por crises políticas e revoltas no Brasil contra a República Oligárquica dos estados. 

Em 1921, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco formam a Reação Republicana para lançar a candidatura à presidente de Nilo Peçanha contra o candidato das oligarquias de Minas Gerais e São Paulo, Arthur Bernardes. 

Bernardes vence as eleições mas se depara com um Brasil dividido e em crises. 

O descontentamento com a vitória de Arthur Bernardes, bem como com o último governo, de Epitácio Pessoa, são algumas das causas do chamado Levante do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, primeira ação do chamado Movimento Tenentista.

Entre 1922 e 1927, no bojo do movimento tenentista, a Coluna Prestes percorre o Brasil pregando mudanças políticas e sociais no país, contra o poder centralizador das oligarquias conservadoras de Minas e São Paulo. Este movimento viria a culminar na Revolução de 1930.

Com uma guerra civil no Rio Grande do sul, ações tenentistas em 1923 e, em 1924 com a Revolução de 1924, Arthur Bernardes decreta o Estado de Sítio no Brasil - que perdura durante quase todo seu governo. 

Semana de Arte Moderna de 1922

Neste contexto político e social conturbado no Brasil, no decorrer da década de 1920 um grupo de intelectuais e artistas ensaia uma grande revolução também no mundo das artes. 


Influenciados pelas novas vanguardas estéticas que surgem na Europa - como o Cubismo, o Expressionismo e o Futurismo - estes jovens artistas descontentes com a ordem estética estabelecida, procura um novo caminho para renovação artística no Brasil, abandonando os ideais estéticos vinculados ao século XIX. 

A jovem Anita Malfatti volta da Europa trazendo experiências das novas vanguardas da pintura européia. 

Villa Lobos, também ainda jovem,  é influenciado pela obra de Stravinsky e pela música moderna francesa.

Oswald de Andrade retorna da Europa, impregnado pelo futurismo de Marinetti. Oswald afirma que "estamos atrasados cinquenta anos em cultura, ainda chafurdando em pleno parnasianismo". 

Em 1921, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Menotti del Picchia e Cândido da Mota Filho divulgam suas ideias modernistas em jornais e revistas. 

Em fevereiro de 1922, Anita Malfatti, Villa Lobos, Oswald e Mário de Andrade, Di Cavalcanti, Brecheret e vários outros personagens de diferentes expressões artísticas se reúnem na chamada Semana de Arte Moderna com objetivo de lançar uma grande discussão sobre a arte e o futuro da arte no Brasil. 

A Semana de Arte de 1922 não teve grande repercussão em sua época, mas, com o tempo, ganhou enorme significado e valor histórico, fundamentando novo movimento estético e ideologicamente se projetando ao longo de todo o século XX, influenciando artistas e movimentos diversos, chegando à Bossa Nova da década de 1960 e ao Tropicalismo da década de 1970. 

O Modernismo no Brasil

O Modernismo no Brasil se divide em três fases distintas:

1 - Primeira Fase (1922 a 1930): Desconstrução

Fase de forte oposição a tudo o que foi anterior. Com irreverência e escândalo, esta fase é conhecida como fase de Desconstrução, propondo a reinvenção da arte brasileira.

2 - Segunda Fase (1930 a 1945): Construção e Consolidação

Fase de mais tranquilidade, com grandes romancistas e poetas dispensando os radicalismos da primeira fase modernista e apresentando uma maior maturidade e aprofundamento dos temas. 

3 - Terceira Fase (1945 a 1980): Pós-Modernismo     

Fase de revisão do modelo modernista, com retomada da importância da estética. 

O momento histórico no Brasil e no mundo é outro, com o final da 2a Guerra e a redemocratização do Brasil influenciando novas temáticas. 

A Aula Resumo abaixo traz mais alguns pontos sobre a primeira fase do Modernismo brasileiro. Como sempre, são pontos para referência rápida e base para estudos e revisões.



fontes: 1 História do Brasil - Bóris Fausto 
            2 Manual do Candidato (FUNAG) História do Brasil - 2013
            3 aulalivre.net

quarta-feira, 30 de abril de 2014

[ Aula Resumo ] Literatura: Pré-modernismo

O contexto na Europa no final do século XIX e início do século XX foi de grande ebulição cultural. 

Grandes avanços tecnológicos, euforia econômica e a efervescência da chamada Belle Époque  agitavam o mundo, mudando a forma de se viver e de se pensar.  

O final do século XIX foi marcado no Brasil pela transição do regime monárquico para o republicano. 

Apesar da mudança na forma, o governo permanecia preso às idéias conservadoras da burguesia dominante.  

Críticas a esta burguesia e suas idéias conservadoras, feitas pelos movimentos Realista, Naturalista e Parnasiano, prenunciavam os novos tempos que estavam por vir. 

Movimentos sociais em várias regiões do país buscavam melhorias nas condições de vida das parcelas mais pobres da população. Na capital e nas províncias, revoltas agitavam a nova república em consolidação. 

A comunidade de Canudos no interior da Bahia, foi palco de um dos episódios mais marcantes na história brasileira. 

O movimento de fundo sócio-religioso liderado por Antônio Conselheiro buscava melhores condições de vida para a população sofrida da região, mas ao incomodar as forças dos proprietários rurais e da igreja, culminou no massacre de milhares de sertanejos e na morte de também milhares de soldados do exército destacados pela república para debelar o movimento. 

A chamada Guerra de Canudos aconteceu entre 1896 e 1897 e deixou o saldo estimado de mais de 20.000 sertanejos e por volta de 5.000 soldados. 

O então jovem jornalista Euclides da Cunha foi enviado para registrar a revolução e acabou por escrever, Os Sertões - um dos livros mais importantes da literatura brasileira, retratando o massacre.    

A influência das mudanças culturais e sociais externas, em conjunto com os acontecimentos e mudanças políticas, sociais e culturais no Brasil deste período, viriam a culminar em uma nova forma de expressão brasileira, caracterizada pelo movimento modernista a partir da década de 1920. 

O período entre o final do século XIX até o marco da semana de Arte Moderna de 1922, foi chamado de Pré-Modernismo

Este período não foi considerado uma escola, mas sim um período de transição entre o período Romântico e o período Moderno, apresentando novas idéias do século XX, mas com a linguagem ainda presa ao século XIX.

Os principais autores desta fase foram Euclides da Cunha, Lima Barreto, Augusto dos Anjos e Monteiro Lobato (em sua primeira fase, de contos adultos). 

A aula resumo a seguir registra estes pontos principais, e traz as principais obras destes autores.

Como sempre nas aulas resumo, o objetivo é ser um guia de referência e revisão rápida.

Grande abraço !      



terça-feira, 22 de abril de 2014

[ Aula Resumo ] Literatura Brasileira: Realismo, Naturalismo, Parnasianismo e Simbolismo






























Machado de Assis na Academia Brasileira de Letras

de pé: Rodolfo Amoedo, Artur Azevedo, Inglês de Sousa, Olavo Bilac, José Veríssimo, Manuel Bandeira, Filinto de Almeida, Guimarães Passos, Rodolfo Bernardelli, Rodrigo Octávio e Afrânio Peixoto. 

sentados: João Ribeiro, Machado de Assis, Lúcio de Mendonça e Silva Ramos

O século XIX foi caracterizado por muitas mudanças sociais, culturais e políticas no Brasil e no mundo. A literatura brasileira registrou bem estas mudanças.   

As obras românticas brasileiras da primeira metade do século XIX, foram o retrato da sociedade conservadora durante os primeiros anos do Império brasileiro. 

Na segunda metade dos anos 1800, o Realismo e o Naturalismo externaram suas críticas ao idealismo romântico e à sociedade burguesa da época, tendo como inspiração a ascensão de um determinismo científico e a visão do ser humano como fruto de seu ambiente. 

As obras realistas e naturalistas registraram, também, o fim do regime Monárquico e a transição para a República no final do anos 1800. 

O século foi marcado por grandes autores como Machado de Assis, José de Alencar, Castro Alves, Aluísio Azevedo e Olavo Bilac - somente para citar alguns entre os de maior destaque.

Machado de Assis é o maior autor do Realismo brasileiro e provavelmente um dos 
maiores escritores mundiais do século XIX. 

Para além da importância de Machado, a obra Machadiana é frequentemente abordada nas provas do CACD, devendo portanto, ser estudada com carinho em dobro.   

Dando prosseguimento à postagem de aulas resumo de Literatura Brasileira, segue abaixo material sobre Realismo, Naturalismo, Parnasianismo e Simbolismo. 

Como já comentado, o objetivo destas aulas resumo não é ser um fichamento completo dos assuntos, mas sim organizar os principais pontos em bullets para referência rápida. 

Abs

    

quarta-feira, 16 de abril de 2014

[ Aula Resumo ] Literatura Brasileira: Romantismo

Como o Guia do Candidato é aberto para o programa de Português, estou organizando a página de Português como um índice de postagens de resumos, resenhas, fichamentos, aulas-resumo e dicas sobre Português. 

Esta aula-resumo apresenta bullets sobre o Romantismo para referência rápida. 

Elaborei esta aula-resumo usando conceito gráfico/imagens baseado no site Aulalivre.net  - créditos à professora Greice da Cunha. 

Novidade, agora utilizando Slideshare !

Abs


quarta-feira, 9 de abril de 2014

CACD Bibliografia simplificada


Post clássico: bibliografia para o CACD.  

Não é à toa pois esse é um pedregulho no sapato ! 

Depois de não chegar à uma lista consensual resolvi elaborar uma lista realmente básica como referência para quem está começando.  

O mínimo por disciplina para tentar ser objetivo - sem desmerecer outras tantas listas e tantos outros textos profundamente relevantes. 

De minha parte eu comecei com os Manuais de Candidato da Funag. Ajudaram e ajudam muito ainda. 

Aos poucos vou introduzir novos títulos para cada disciplina, mas com a cabeça mais na segunda e terceira fase.  

1 DIREITO/DIP

  • Constituição Brasileira (CF 1988)
  • Direito Internacional Público (José Francisco Rezek) 
  • Direito Consitucional Esquematizado (Marcelo Alexandrino)
  • Termos de Cartas, Estatutos, Tratados, Acordos e Convenções mais importantes (ONU, CIJ, MERCOSUL, UNASUL, GATT, OMC, Acordos de Viena, etc)

2 ECONOMIA
  • Introdução à Economia: Princípios de Micro e Macroeconomia (Gregory Mankiw) 

3 GEOGRAFIA
  • site do IBGE (www.ibge.gov.br)
  • Geografia e Meio Ambiente no Brasil (Bertha Becker)
  • Brasil, Território e Sociedade do século XXI (MILTON SANTOS & Maria Laura Silveira)

4 HISTÓRIA DO BRASIL

  • História do Brasil (Bóris Fausto)
  • Formação do Brasil Contemporâneo (Caio Prado Jr)
  • Raízes do Brasil (Sérgio Buarque de Holanda)
  • Casa Grande & Senzala (Gilberto Freyre)

5 HISTÓRIA MUNDIAL

  • Era das Revoluções 1789 a 1848 (Eric Hobsbawn)
  • Era do Capital 1748 a 1875 (Eric Hobsbawn)
  • Era dos Impérios 1875 a 1914 (Eric Hobsbawn)
  • Era dos Extremos 1914 a 1991 (Eric Hobsbawn)

6 POLIÍTICA INTERNACIONAL 

  • História da Política Exterior do Brasil (Amado CERVO & Clodoaldo BUENO)
  • História dasRelações Internacionais Contemporâneas (José Flávio SOMBRA SARAIVA) 

7 PORTUGUÊS

  • Uma boa gramática (muitos recomendam "A Moderna Gramática Portuguesa" de Evanildo Bechara)
  • Formação da Literatura Brasileira (Antônio Cândido)

Podemos falar, é claro, sobre a importância de tantas outras leituras como Machado de Assis, Joaquim Nabuco, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Raymundo Faoro, Henry Kissinger, Paul Krugman, etc, etc, mas aí "o céu é o limite" ! 

Certamente estes livros não esgotam todas as disciplinas, mas vão servir como ótima referência para preparação principalmente para o TPS. 

Nunca é demais indicar sites e ótimas referências sobre atualidades como:




segunda-feira, 7 de abril de 2014

[ Aula Resumo ] Literatura Brasileira: Quinhentismo, Barroco e Arcadismo

Resumo de Literatura Brasileira

Como o Guia do Candidato é aberto para o programa de Português, vou organizar a página de Português como um índice de postagens de resumos, resenhas, fichamentos, aulas e dicas sobre Português. 

Vou começar com aulas-resumo que desenvolvi sobre Literatura brasileira. 

Créditos às aulas do site Aulalivre.net  - professora Greice da Cunha. 

Críticas e sugestões serão sempre muito bem vindas ! 

Atualizado ! Agora utilizando Slideshare !





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