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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A história da Rússia e o xadrez geopolítico

A guerra parece inevitável para a Rússia, este país vasto e sem litoral que a oligarquia americana deseja afastar para longe de todos os lugares

Carta Maior
25 nov 2015

Bruno Adrie





É necessário provar que Putin é mal retratado pela imprensa ocidental?
 
Ele é tão desprezado que a revisão do L'Express escreveu sobre um relatório dirigido ao Pentágono que afirmava que “o desenvolvimento neurológico de Putin foi interrompido substancialmente na infância” e que “o presidente russo carrega uma anormalidade neurológica”. Os autores do relatório dizem que "o seu comportamento e suas expressões faciais revelam uma postura defensiva em grandes ambientes sociais"
 
A conclusão implícita do relatório manipulado pelo Pentágono é que Putin não consegue se comunicar, é incapaz de participar de um diálogo aberto e construtivo com os outros e pode ser perigoso, declarando uma guerra sem prévio julgamento. O leitor crédulo se assusta e se pergunta como tal homem pode ser o líder da Rússia. 

Então ele olha para o que tem acontecido nos últimos anos e de repente entende por que Putin invadiu a Geórgia em 2008, por que anexou a Crimeia, por que apoiou os separatistas em Donbas e por que está bombardeando os fundamentalistas islâmicos na Síria agora em apoio ao torturador Al-Assad! Qual é a diferença entre mencionar este relatório e espalhar propaganda?
 
E se Putin não fosse esse homem que eles descrevem? Suponha, por exemplo, que exista algum tipo de lógica na sua política externa.
 
De acordo com o geógrafo George Friedman, as nações agem como jogadores de xadrez, que atuam nos limites estreitos de uma série de regras que definem seu leque de boas jogadas. Tão melhor quanto mais lógico for um jogador, quanto mais previsível ele for na escolha da melhor tática "até que desfira seu brilhante golpe inesperado". 

George Friedman acredita que as nações não simplesmente agem irracionalmente. "As nações são limitados pela realidade. Eles geram líderes que não se tornariam líderes se fossem irracionais" (Friedman, p.29). Ele considera que os líderes "compreendem o seu menu de possíveis movimentos e os executam". Quando eles falham, não é porque são estúpidos, mas apenas porque as circunstâncias não lhes forneceram as possibilidades corretas.
Seguindo a abordagem de George Friedman em termos de geopolítica, vamos nos perguntar: é possível entender as iniciativas tomadas por Vladimir Putin no tabuleiro internacional?

Em seu livro The Next 100 Years, George Friedman insiste no fato de que a Rússia não tem uma abertura para litoral, enquanto os EUA dispõem de "acesso fácil para os oceanos do mundo". Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos - que pretendiam "conter e, dessa forma, estrangular os soviéticos" - criaram um "cinturão maciço de nações aliadas" que se estendia do Cabo Norte da Noruega até a Turquia e as Ilhas Aleutas " (Friedman, p.45 ). 

"Trancada pela geografia", a URSS não podia vencer a Guerra Fria e, finalmente, entrou em colapso em 1991. Friedman prevê que, no século XXI, depois de uma segunda Guerra Fria, a Rússia entrará em colapso novamente, pela mesma razão geográfica.
 
Mas não possuir um litoral não é o único inconveniente geográfico pra Russia. A fim de entender esse contexto, o jornalista Tim Marshall nos convida a dar uma olhada neste mapa da Europa, em que a planície europeia foi escurecida.

Esta planície, que vai da costa atlântica até os Montes Urais e da Finlândia até o Mar Negro e o Cáucaso, é um corredor enorme e aberto em que se deram todas as invasões nos últimos 500 anos: os poloneses em 1605, os suecos em 1707, os franceses em 1812 e, finalmente, os alemães em 1914 e 1941. 

Essas invasões só foram possíveis porque a planície não oferece resistência aos invasores. Lá você não vai se deparar "com montanhas, desertos, e apenas poucos rios" para atravessar. Para lidar com este problema, os líderes russos decidiram atacar primeiro.
 
A única maneira de evitar essa insegurança foi deslocar suas fronteiras para lugares mais fáceis de controlar e defender, onde haveria obstáculos naturais para invasões. Ivan, o Terrível, foi o primeiro a avançar sobre esses marcos.
 
"Ele estendeu seu território ao leste dos Montes Urais, ao sul do Mar Cáspio e em direção ao norte do Círculo Ártico". Assim ele "teve acesso ao Mar Cáspio e, mais tarde, ao Mar Negro, aproveitando as montanhas do Cáucaso enquanto barreira parcial frente aos mongóis". Ele também "construíu uma base militar na Chechênia a fim de dissuadir qualquer suposto invasor".
 
Então veio Pedro, o Grande, e depois Catarina, a Grande. Eles "expandiram o império a oeste, ocupando a Ucrânia e, em seguida, atingindo as montanhas dos Cárpatos". Eles assumiram controle da Lituânia, Letônia e Estônia para se defender "contra os ataques do Mar Báltico". E após a Segunda Guerra Mundial, Stalin ocupou a Europa Oriental e lá apoiou regimes aliados, a fim de criar uma zona tampão para bloquear a planície Europeia, forçando as fronteiras a oeste, até chegar a uma área estreita e, portanto, mais fácil de controlar contra os inimigos. 

Podemos ver, na verdade, que a fronteira entre as Alemanhas Oriental e Ocidental é mais fácil de defender do que a fronteira da Rússia atual. E esses fatores não dependem da personalidade de um líder, seja ele um imperador, um ditador ou um presidente eleito. Este ponto de vista é amplamente partilhado por Alexander Dugin.
 
Alexander Dugin é geógrafo, mas não só isso. É também um fervoroso russo movido pelo amor ao seu país. Para ele, a Rússia é mais do que um país enorme e sem litoral, mais do que uma bandeira. É uma civilização sitiada que precisa ser defendida. "A Rússia não é simplesmente a Federação da Rússia, a Rússia é o mundo russo, uma civilização, um dos pólos de um mundo multipolar", diz ele em entrevista concedida ao Katehon.com, sob o título: “War in Ukraine Will Resume Soon”.
 
Assim como Tim Marshall, Alexander Dugin inclina-se sobre a geografia para justificar a política externa do presidente Putin. Segundo ele, a guerra contra a Geórgia, a anexação da Crimeia e a campanha de bombardeios na Síria - onde a Rússia tem uma base naval na cidade de Tartus (muitos dos leitores ocidentais não sabem que a Síria é, como Crimea ou Transcaucásia, um posto avançado que garante uma Rússia não circunscrita as suas próprias fronteiras) - foram ações ditadas por uma necessidade geopolítica que transcende a personalidade de seus líderes. Segundo ele, a Rússia deveria ter anexado as províncias de língua russa da Ucrânia e, como Dugin acredita, mais cedo ou mais tarde ela vai ter que fazê-lo.
 
E não porque os russos sejam ávidos por territórios ou simplesmente imperialistas. Ao fazer isso, a Rússia tende a garantir sua própria sobrevivência. 

"Se perdermos Donbas, então vamos também perder a Criméia e, em seguida, toda a Rússia", diz ele. Anexar a Ucrânia não é um objetivo. A Ucrânia não precisa se tornar um estado vassalo. "Eu não sou contra uma Ucrânia soberana, é apenas necessário que ela seja nossa aliada ou companheira, ou, no mínimo, um espaço neutro, intermediário", diz ele. 

E acrescenta: "O que não pode ser permitido é uma ocupação atlantista da Ucrânia". Aqui, Dugin fala do reino da necessidade. Isso é o que ele quer dizer quando trata de um "axioma da geopolítica". "Nossos inimigos entendem perfeitamente que a Rússia só pode se tornar grande novamente em conjunto com a Ucrânia". Segundo ele, "Não há outro caminho. 

A Primavera Russa é impossível sem avançar um eixo euro-asiático estratégico na Ucrânia, não importam os meios, sejam pacíficos ou não, que forem necessários". Dugin pensa que manter independentes as repúblicas de Donetsk e Lugansk entre a Ucrânia e a Rússia é um imperativo categórico. "Aquele que controla as fronteiras do DPR e do LPR com a Rússia, controla tudo", diz ele, imitando o famoso slogan de Mackinder.
A Síria é parte do mesmo problema. Alexander Dugin considera que a Síria “é uma meta mais distante, mas não menos importante”. Ele garante que a existência do EI faz parte de “um plano norte-americano”. Segundo ele, “O Estado Islâmico é uma operação especial dirigida contra os adversários da hegemonia norte-americana no Oriente Médio e em particular contra nós [russos]” e acrescenta que "o fundamentalismo islâmico tem sido tradicionalmente um instrumento geopolítico norte-americano". 

Eu sugiro àqueles que consideram Alexander Dugin um teórico da conspiração que leiam as confissões de Zbigniew Brzezinski, que, enquanto Conselheiro de Segurança de Jimmy Carter, recebeu, em 03 de julho, a autorização presidencial para financiar batalhões Mujahedin, a fim de oferecer aos russos a sua própria versão de "Guerra do Vietnam" no Afeganistão.
 
Dugin pensa que, para enfrentar a ameaça americana, a Rússia deve mostrar força e parar de usar a soluções diplomáticas.
 
A guerra parece inevitável para a Rússia, este país vasto e sem litoral que a oligarquia americana deseja afastar para longe de todos os lugares, desde as costas do Báltico, do Cáucaso, do Mar Negro ou do Mediterrâneo, quem sabe com a expectativa de afastá-la da Sibéria em um próximo momento. E esta guerra não será a conseqüência da personalidade do Presidente Putin, mas resultado de uma turbulência geopolítica deliberadamente organizada pelos oligarcas ocidentais.
 
Sem dúvida, porém, os idiotas vão continuar a urrar que Putin é um ditador sanguinário e que a Rússia é um país perigoso e bárbaro.
 
Esses idiotas não são apenas os inimigos da Rússia. Eles são também os inimigos da verdade e sua onipresença no cenário da mídia e no mundo político fez da Europa um grande corpo doente, cujos membros estão gradualmente sendo devorados pela gangrena atlantista.

Notas:

George Friedman, The Next 100 Years, Allison & Busby, London, 2009
Tim Marshall, « Russia and the Curse of Geography » , The Atlantic Monthly, October 31st 2015
Tim Marshall, Prisoners of Geography, Scribner Book Company, October 27th  2015
Alexander Dugin, « War in Donbass will be imposed on us by Washington and Kiev » , Katehon.com, November 2nd  2015 (reblogged here)
Bruno Adrie, « Brzezinski, Obama, Islamic fundamentalism and Russia » (Part I), brunoadrie.wordpress.com,October 26th 2015
Bruno Adrie, « Brzezinski, Obama, Islamic fundamentalism and Russia » (Part II), 

fonte: Carta Maior

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Argentina e Rússia firmam acordo antidólar





















Opera Mundi
23 Abr, 2015

Putin e Kirchner firmam acordo antidólar para usar moeda nacional em transações comerciais

Rússia e Argentina também assinaram convênios de cooperação no setor de energia, como a construção de uma central nuclear e uma hidrelétrica


Argentina e Rússia assinaram, nesta quinta-feira (23/04), um acordo que permite a realização de pagamentos comerciais em peso e rublo. A iniciativa, tomada em meio a dezenas de convênios na área energética, tem como objetivo fazer com que os países deixem de estar “amarrados ao dólar”, como afirmou a mandatária do país sul-americano, Cristina Kirchner.

Além do trato para pagamentos recíprocos, que visa aumentar e aprofundar as trocas comerciais entre os países, os mandatários assinaram dezenas de acordos comerciais na área energética, incluindo a construção de uma nova central nuclear e uma hidrelétrica, além do memorando para que a empresa petrolífera russa Gazprom explore petróleo no campo de Vaca Morta, principal zona petrolífera argentina.
No ano passado, Rússia e China anunciaram que o pagamento comercial em moedas locais aumentou 800% entre janeiro e setembro. A expectativa é que pelo menos metade das transações comerciais entre os países, previstas para alcançar 200 milhões de dólares até 2020, seja feita em moedas locais.
Na América Latina, o uso de moedas locais também é usado nas relações comerciais entre Brasil e Argentina; Brasil e Uruguai e Cuba, Equador e Venezuela, por meio do Sucre (Sistema Único de Compensação Regional de Pagamentos).
Investimentos russos
Com o memorando entre a empresa petrolífera Gazprom e a estatal argentina YPF para explorar petróleo no campo da Vaca Morta, a Rússia vai aportar US$ 2 bilhões na zona petrolífera, com potencial para suprir toda a demanda energética argentina, enquanto a Gazprom aportará mais US$ 1 bilhão. 
Também foi assinado um acordo para a construção da sexta central nuclear na Argentina por parte da empresa russa Rosatom, no valor de US$ 2 bilhões. Além disso, foi assinado memorando para o desenvolvimento da central hidrelétrica Chihuido I, de quase 700 megawatts na província argentina de Neuquén, por um montante total de quase US$ 2 bilhões.
"A participação russa na instalação de geração elétrica na Argentina não é nova. Mais de 4.400 megawatts do parque energético argentino são de origem russa, temos uma longa tradição de cooperação neste terreno", destacou Kirchner.
Os mandatários também assinaram acordos na área científico-técnica, militar, cultural, educativa, esportiva e turística, bem como um programa de agricultura.
Em janeiro, Kirchner fez movimento semelhante durante a visita à China, quando firmou 15 convênios com empresas chinesas nos setores de energia e mineração.
Relações bilaterais
Durante entrevista concedida à emissora RT, a mandatária defendeu que a relação entre Rússia e Argentina não deve ser consolidada apenas em termos comerciais, como vendedores e importadores e sim como sócios, “como uma plataforma mais que interessante para toda a região latino-americana”.
Com relação à importância da Rússia no cenário internacional, mesmo após as sanções impostas pelas potências ocidentais ao país, Kirchner afirmou que o país “ressurgiu como um novo ator importantíssimo em matéria global, não apenas em termos econômicos, ou como fornecedor de energia, mas também como ator político”.
No que se refere às questões nacionais, Putin expressou apoio à postura argentina na defesa da soberania das Ilhas Malvinas na reivindicação de que o “Reino Unido se sente à mesa para negociar”.
Com relação à crise ucraniana, Cristina, em alinhamento com o que vem sendo defendido por Moscou, ressaltou que "a diplomacia é o único caminho para resolver" os conflitos e condenou “todo tipo de ingerências externas em outros países".
fonte: Opera Mundi

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Rússia perde grau de investimento

Agência S&P corta nota da Rússia e país perde grau de investimento

Folha SP
26 jan 2015

A agência de classificação de risco S&P (Standard & Poor's) cortou nesta segunda-feira (26) a nota de crédito da Rússia para BB+, abaixo do grau de investimento (chancela de mercado seguro para se investir).

A S&P havia alertado no fim de dezembro que poderia tirar o grau de investimento da Rússia a partir de meados de janeiro, após rápida deterioração da flexibilização da política monetária do país e do enfraquecimento da economia.

Depois do rebaixamento, o rublo, moeda russa, caiu mais de 6,5% em relação ao dólar, recorde de baixa, com um dólar valendo 68,76 rublos. No fim do dia, um dólar fechou valendo 67,96 rublos.

A Rússia é o primeiro país emergente dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) a perder o grau de investimento. O rebaixamento marca a primeira vez em mais de 10 anos que a dívida da Rússia fica abaixo do grau de investimento, o chamado "grau especulativo".

A S&P citou que espera que a economia russa cresça apenas 0,5% ao ano nos próximos três anos, abaixo dos 2,4% dos últimos quatro anos.

A Moody's e a Fitch, outras agências de classificação de risco, avaliam a Rússia como Baa3 e BBB- respectivamente, os níveis mais baixos nas escalas de grau de investimento. 

Abaixo desses níveis, o país também entraria no chamado grau especulativo (que indica alta probabilidade de calote) também nessas agências.

CENÁRIO

A medida pode prejudicar não só a imagem da Rússia entre os investidores, mas também elevar seus custos de financiamento, já que muitos fundos têm regras que os impedem de comprar títulos não classificados como grau de investimento.

A economia da Rússia deve entrar em recessão neste ano, uma vez que as sanções do Ocidente por causa dos conflitos com a Ucrânia estimulam a fuga de capitais e a inflação. 

Além disso, uma queda duradoura dos preços do petróleo prejudica as receitas de exportação da Rússia. 

fonte: Folha de SP

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Russia and Japan making nice

Why Russia and Japan Are Making Nice

Rússia e China fecham acordo para aumentar laços militares


Rússia e China expandem seus laços estratégicos. Tanto na área político-militar como industrial
Defesa Net
20.nov.2014

China e Rússia comprometeram-se a fortalecer a cooperação militar bilateral e a promover exercícios navais conjuntos para conter a influência dos EUA na região da Ásia-Pacífico, em meio a um coro cada vez maior de vozes alertando para a aproximação de uma "nova Guerra Fria".
Durante visita a Pequim, onde se encontrou com seu homólogo chinês e com o primeiro-ministro do país, Li Keqiang, o ministro da Defesa da Rússia, Serguei Shoigu, disse que os dois lados expressaram "preocupação com as tentativas dos EUA de reforçar sua influência política militar na região da Ásia-Pacífico", segundo noticiaram as mídias estatais chinesa e russa.
"Nossa cooperação nas esferas militares tem grande potencial e o lado russo está pronto para desenvolvê-lo ao longo do espectro de áreas mais amplo possível", disse Shoigu. "Vemos a formação de um sistema de segurança regional coletivo como objetivo primário de nossos esforços conjuntos".
A delegação russa também traçou um paralelo entre as demonstrações pró-democracia em Hong Kong e as chamadas "revoluções coloridas" em ex-repúblicas soviéticas, como a Ucrânia, que China e Rússia sustentam ter sido instigadas pelos EUA e seus aliados.
Anatoly Antonov, vice-ministro da Defesa russo, deu a impressão de que a Rússia estaria disposta a ajudar Pequim a eliminar os protestos pacíficos em Hong Kong.
"Tomamos nota dos eventos que aconteceram recentemente em Hong Kong e os dois ministros reconheceram que nenhum país pode se sentir seguro contra as revoluções coloridas", disse Antonov, de acordo com a mídia estatal russa. 
"Acreditamos que a Rússia e a China deveriam trabalhar juntas para opor-se a esse novo desafio à segurança de nossos Estados."
Os dois lados acertaram realizar exercícios navais - o que acontecerá pela quarta vez nos últimos anos - no Mediterrâneo na próxima primavera setentrional, e também no Pacífico.
Num momento em que os combates se intensificam no leste da Ucrânia e os vizinhos da Rússia se preocupam com a crescente beligerância de Moscou, Pequim descreveu as relações sino-russas como as melhores que já tiveram.
A situação na Europa levou o ex-líder soviético Mikhail Gorbatchov a advertir na semana passada que o mundo está à beira de uma nova Guerra Fria, sentimento compartilhado por autoridades bielorrussas na terça-feira.
Diante da perspectiva de novas sanções ocidentais, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, busca aproximar-se da China para demonstrar que tem opções econômicas e estratégicas e que não está isolado no cenário mundial.
Os dirigentes autoritários da China deram as boas-vindas às aberturas, num momento em que elevam o tom de suas reivindicações territoriais no mar do Leste da China e no mar do Sul da China, e tentam confrontar vizinhos de menor porte e o Japão, seu inimigo na Segunda Guerra Mundial.
Mas ambas as partes continuam cuidadosas em se aproximar demais e têm dificuldades em superar uma longa história de desconfiança e desprezo mútuos, segundo especialistas chineses e ocidentais que monitoram o relacionamento. 
Apesar de se falar muito em estreitamento de laços militares e em manobras conjuntas, a Rússia até o momento se recusou a vender sua tecnologia militar mais avançada, como motores de jato e caças, à China. 
Pequim tentou contrabalançar sua aproximação com Moscou com uma maior colaboração com os Estados Unidos e seus aliados, enquanto Putin buscou intensificar as relações com Tóquio, para desalento da China.
Na mesma hora em que Shoigu se reunia com seu colega chinês Chang Wanquan, na terça-feira, uma alta autoridade do Partido Comunista Chinês visitava a Finlândia, que está em estado de alto alerta para o menor sinal de invasão da parte da Rússia.
Ao mesmo tempo, uma delegação do mais alto nível da Coreia do Norte se reuniu com Putin no Kremlin, em meio a especulações de que o dirigente do país, Kim Jong Un, faria sua primeira visita externa como líder à Rússia, e não à China, sua tradicional aliada.
Autoridades chinesas dizem que os laços entre Pyongyang e Pequim chegaram a seu ponto mais baixo de todos os tempos desde que Kim assumiu o país ermitão.
Durante a visita do ministro da Defesa, a Agência Espacial Federal da Rússia também discutiu uma cooperação mais estreita com a China, que está interessada em montar motores de foguete russos e em integrar os projetos de exploração espacial tripulada, de sensoriamento remoto e de satélite de navegação, segundo a mídia estatal russa.

Nota DefesaNet

Os acordos entre os dois ministros de defesa da Rússia e da China seguem-se após amplos acordos de colaboração tecnológica firmados durante o China Air Show. O acordo inclui participação dos dois países em mísseis, aeronaves militares, helicópteros, eletrônica e outros sistemas militares avançados.

fonte: Defesa Net 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Otan busca nova estratégia para a Rússia



Em reunião de cúpula, aliança militar deve definir guinada em suas prioridades devido à crise na Ucrânia. Otan quer força de reação rápida para fazer frente à ameaça da Rússia.

Deutsche Welle
4.set.2014


Esta cúpula provavelmente também será chamada de histórica, especulam altos diplomatas da Otan durante os preparativos para a reunião de dois dias em Newport, no País de Gales (Reino Unido), que começa nesta quinta-feira (04/09).
Histórica porque, devido à crise na Ucrânia e à crescente confrontação com a Rússia, a aliança deve definir uma guinada completa em suas prioridades. Nos últimos 13 anos, a Otan se concentrou especialmente na missão no Afeganistão e na gestão de crises fora do território da aliança. 
Agora, o que está em jogo é a defesa de países na Europa. No final de 2014, a missão militar de combate da Otan no Afeganistão deve ser substituída por uma missão de treinamento, muito menor.
"Estamos nos preparando para a próxima fase da Otan", afirma o comandante supremo na Europa, o general americano Philip Breedlove. "Vamos passar de uma tropa em missão no exterior a uma força de prontidão. Trazemos as tropas estacionadas para casa, economizamos dinheiro, é claro, e pegamos parte dessa verba para investir numa melhor formação e em exercícios."
O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, expressou-se repetidamente nas últimas semanas com tons duros contra a Rússia. "Não somos ingênuos, nem nos perdemos em ilusões. Temos de lidar com o fato de que a Rússia nos considera um inimigo. E vamos nos adaptar a isso", avaliou Rasmussen, se referindo ao futuro da Otan.
Reforço das forças de reação rápida
Os 28 líderes da Otan vão determinar em Newport um reforço das forças de reação e, provavelmente, a construção de cinco depósitos de armas e material nos países bálticos e na Polônia.
Além disso, será formada uma "ponta de lança" dessas forças de reação, que deverá estar em alerta constante, segundo declarou Rasmussen em Bruxelas, antes da cúpula. "Essa força pode viajar com bagagem leve, mas mesmo assim atacar duramente, caso necessário", disse.
Esta força de reação rápida deve incluir apenas algumas centenas de soldados e pode entrar em ação em dois ou três dias. Depois, viriam vários milhares de soldados da força de reação da Otan, que consistem em tropas multinacionais e que atualmente precisam de várias semanas para estarem prontas para combate.
"Acreditamos que uma força de reação em estado de alerta elevado teria um grande poder dissuasor", disse o secretário-geral da Otan, utilizando vocabulário da Guerra Fria. "O problema até agora era o tempo de reação", avaliou o ex-general da Otan Harald Kujat. Este deve ser bastante reduzido, para formar um contrapeso às tropas russas, que podem ameaçar os países da Otan no Leste Europeu.
"Naturalmente que devemos sempre lembrar que, depois, mais tropas também teriam que ser deslocadas para esses países. Mas a Rússia também precisa de certo tempo para ser capaz de atacar. Se você tiver um sistema de alerta eficaz, então você pode compensar isso", disse o general aposentado em entrevista à DW.
Respeitando o acordo entre Otan e Rússia
Os países bálticos e a Polônia reivindicam a colocação de tropas permanentes da Otan em seus territórios. O presidente da Estônia, Thomas Hendrik Ilves, alertou nesta terça-feira para uma "Otan de duas classes" caso os membros do Leste Europeu também não recebam bases permanentes da Otan.
Isso, entretanto, tem sido negado pelos países ocidentais da Otan. "A Otan vai respeitar o tratado entre a Rússia e a aliança", assegurou Rasmussen. No documento, a Otan declarou unilateralmente em 1997 que não estacionará permanentemente grandes unidades nos antigos Estados membros da antiga aliança militar comunista Pacto de Varsóvia.
Rasmussen afirma, porém, que a Rússia, com suas ações agressivas contra a Ucrânia e a anexação da Crimeia, pouco se preocupa com o contrato com a Otan. "Infelizmente temos observado que a Rússia viola de modo flagrante todos os princípios do Ato Fundador entre Otan e Rússia. Instamos a Rússia a mudar isso imediatamente."
"Otan comete erros"
O presidente russo, Vladimir Putin, ainda participou da última cúpula da Otan em Lisboa, em 2010, numa reunião no mais alto nível, no âmbito do Conselho Otan-Rússia. Isso agora parece não ser mais possível. A Otan sequer convidou Putin devido à crise na Ucrânia.
Quando um repórter perguntou se os russos devem ter se surpreendido por não terem sido convidados, Rasmussen riu. "Não, acho que não", respondeu.
As relações com a Rússia chegaram a um ponto crítico. Kujat acusa a Otan de ser corresponsável por isso e por ter cometido erros gritantes. Ele afirma que o Conselho Otan-Rússia, criado especialmente para o diálogo em tempo de crise, não foi ativado. 
"Ele é um meio muito eficaz na prevenção de conflitos e gestão de crises. Infelizmente, esse excelente instrumento não foi utilizado pela Otan. "Acredito que teria contribuído muito para acalmar e estabilizar a situação na Ucrânia."
O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, foi convidado para a atual cúpula. Mas diplomatas da aliança avaliam que ele não deve esperar muito. Eles argumentam que a Ucrânia não é um país da Otan e não deverá ser num futuro próximo, apesar das afirmações de que a porta ainda está aberta.
"Uma associação da Ucrânia não está em pauta", afirmou o presidente dos EUA, Barack Obama, durante sua visita a Bruxelas em março, após a anexação da Crimeia pela Rússia. Nesta quarta-feira, em Tallinn, ele afirmou, porém, que é necessário enviar uma inequívoca mensagem de apoio à Ucrânia.
Também o fornecimento de armas para o Exército ucraniano é rejeitado pela maioria dos países da Otan. "Ajudamos na formação e reforma do Exército, mas defendemos somente os Estados membros", frisou um diplomata da Otan em Bruxelas.
Missão no Afeganistão
Embora o Afeganistão ainda não disponha de um presidente capaz de governar, Rasmussen avalia que ainda pode ser assinado a tempo um acordo sobre o estacionamento de 15 mil soldados para uma missão para suceder a Força Internacional de Assistência para Segurança (Isaf).
"Estou animado porque ambos os candidatos presidenciais declararam que assinariam os contratos necessários assim que tomassem posse. Por isso, estou confiante de que poderemos, como planejado, implementar uma missão de treinamento no Afeganistão em 1° de janeiro de 2015", afirmou. 
Enquanto isso, apenas cerca de 30 mil soldados da Isaf estão no Afeganistão, incluindo 1.900 alemães. E a retirada está correndo como o planejado, segundo a Otan.
É claro que a cúpula também discutirá sobre dinheiro. Os EUA têm reclamado há anos de que os países europeus, com algumas exceções, não gastam dinheiro suficiente para sua defesa. Pelo contrário, o gasto encolhe, os exércitos europeus reduziram radicalmente seus armamentos e foram reformulados.
Segundo Kujat, isso está sendo percebido agora, quando são necessárias forças para defesa nacional na Europa. Rasmussen, porém, é otimista, pois o fortalecimento da força de reação da Otan, no final das contas, terá que ser pago. "Em Gales, espero comprometimentos de se aumentar os gastos com defesa, já que a economia está se recuperando."

segunda-feira, 26 de maio de 2014

China, Russia, US and the New Superpower Showdown

Treacherous Triangle

China, Russia, the United States, and the New Superpower Showdown


Foreign Affairs
by David Gordon and Jordan Schneider
22.05.2014

This week, Russian President Vladimir Putin has been in China, looking to deepen ties between his country and his neighbor to the south. 
The trip could mark the start of a new era in U.S.-Russian-Chinese relations, the trilateral relationship that dominated the final decades of the Cold War and is now making a comeback. 
After Russia’s aggression in Crimea, Moscow and Washington are locked in conflict. Beijing has thus become the new fulcrum, the power most able to play one side off the other.
It is hard to overstate just how significant the shift could be. 
During the Cold War, the United States capitalized on the constant, at times extreme, Sino-Soviet tension. Thanks to the United States’ closer relations with China, first illustrated during U.S. President Richard Nixon’s famous 1972 visit to Beijing, the Soviet Union feared total isolation. 
It consequently became more willing to accommodate U.S. demands. American leverage increased, manifesting itself in the U.S.-Soviet agreement on the first Strategic Arms Limitation Treaty just three months after Nixon’s trip, and in the Helsinki Accords three years later. In return for Chinese support, Washington gradually normalized its dealings with Beijing, culminating in 1979 in the reestablishment of diplomatic relations, which had been suspended after the communist takeover.
The dissolution of the Soviet Union and the shock of Tiananmen Square marked the end of the first era of triangulation. In the post–Cold War unipolar era, the United States did not need to use a reeling Russia against an internally focused China to achieve its goals. But, thanks to China’s rise as a major power and Russia’s newfound assertiveness, trilateral dynamics are back. This time, though, the United States isn’t the dominant player.
CHINA'S CHOICE
If animosity between China and the Soviet Union defined trilateral relations during the Cold War, today it is U.S.-Russian tensions that drive the triad’s dynamics. Clashing interests, a real ideological divide, and the likely escalation of U.S. sanctions will add to the strain. 
Unlike U.S. President Barack Obama at the start of his first term, though, the next president will not likely attempt a “reset” with Russia, if only to avoid the domestic political blowback. Likewise, Putin has his own reasons for keeping tensions high; he would like to stir up nationalism to preserve his popularity at home, especially in the face of continued economic contraction.
Between these two clashing powers lies China. As the nation in the triad with the broadest policy options, China is positioned to play Russia and the United States off each other, much as the United States did with China and Russia in years past.
Putin has hoped to convince China to use its influence to provide Russia significant economic and political support. In that, he is likely to be disappointed. For one, the two sides don’t have the same strategic goals. China wants global respect for its peaceful rise to great power status. 
Russia wants to challenge and undermine the West at every opportunity. Further, China sees the United States as its most important partner because of the two nations’ economic interdependence. In other words, even as China balances between the United States and Russia, it won’t risk provoking a real falling out with the United States. It will, however, drive hard bargains and extract concessions from both sides, particularly from Russia.
For example, Putin would like China to legitimize Russia’s aggressive regional stance. To this, China won’t say “no,” but it won’t say “yes” either. The last thing the country would want to do is lend public support to the principle that issues of sovereignty can be decided through referenda. 
The spillover effects in Hong Kong, Inner Mongolia, Taiwan, Tibet, and Xinjiang would be too severe. What Russia can reasonably expect, though, is for China’s leaders to maintain their benign neglect, continuing to abstain on UN votes against Russia and undermining Western sanctions.
Putin has also been looking to dramatically expand Russia’s role as an energy provider to Beijing, which would create leverage for Russia in its energy dealings with Europe. And, after a decade of false starts, during the first part of Putin’s trip to China, Moscow and Beijing did ink an agreement for the “Power of Siberia” pipeline, presaging a new phase in bilateral energy relations. 
On this issue, Moscow’s desire to expand energy exports intersects with Beijing’s search for greater energy security. And although Russia secured some $25 billion in prepayment to finance the pipeline -- very important in the face of Western sanctions -- China got the better the deal. Russia will supply it natural gas at significantly lower-than-market rates, saving China tens of billions of dollars and pushing down the price of gas across Asia.
In addition to energy, China would like Russia to make it easier for Chinese firms to invest in Russia and sell to Russians. For China, Russia’s middle class economy is a huge market opportunity, especially now that Western firms have started to defer investment there. 
Russia, fearful of competition, has tended to restrict access to the Russian market for Chinese companies. But in the new geopolitical triangle, Russian and Chinese economic interests will converge; Moscow is already loosening restrictions on Chinese investment and will likely speed up the process.
China might also ask Russia for access to Russia's most advanced military technology. Moscow has been reluctant to sell Beijing its highest-end materiel, partially out of fear that China might someday use these weapons against Russia. 
Russia might now be more willing to share some technology in return for strategic concessions, but such a policy shift will be gradual. And it might have spillover effects outside of the triangle, for instance driving India into the arms of U.S. arms manufacturers in its search to match China’s increased military capabilities.
TRIFECTA
Just as the United States was emboldened by its lead position in the U.S.-Russian-Chinese triad during the Cold War, so too will China's resolve increase as Russia pursues its affections. For instance, China might become less eager to liberalize its foreign investment policy, something the United States has long wanted as a way to drive down the bilateral trade deficit. 
With new economic opportunities to China’s north, it simply won’t be as desperate for U.S. money. And the more Russia opens up its technological storehouse, the more willing China will be to press its interests in the South and East China Seas.
Unlike during the Cold War, however, when Washington’s rapprochement with Beijing pressured Moscow to change many aspects of its global policy, the closer Russian-Chinese relationship is unlikely to change U.S. policymakers’ calculations on most major U.S.-Chinese issues. Thus, the dynamics of the new triangle will not exactly mimic the old.
A rising China supported by a desperate Russia will make for a formidable geopolitical pair. Even so, the United States will not weaken its commitments to its allies, such as Japan and the Philippines, in the face of increased Chinese confidence. 
It will continue to pursue its flagship regional trade deal, the Trans-Pacific Partnership. And it will press China on its state-sponsored commercial espionage with increasing vigor. 
Unlike the Soviet Union, the odd nation out in the first triangle relationship, the United States today has the military, financial, and political strength -- coupled with a global network of alliances -- to stand on its own. But an emboldened Beijing will nevertheless make it harder for the United States to maintain its current position as the Pacific’s regional balancer.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Turkey and Russia's Struggle for Regional Supremacy























Ankara to Black Sea
by Akin Unver
may 12, 2014


The Ottoman Empire’s loss of Crimea to the Russian Empire in 1783 was a turning point in both civilizations’ histories. For the Ottomans, it was the first permanent loss of a major Muslim territory to a Christian power, in this case Catherine the Great’s Russia, which, like President Vladimir Putin’s Russia, had intervened in a Crimean civil war and eventually annexed the peninsula. For the Russians, it was the beginning of their country’s transformation into a global power; through the Black Sea, Russia could sail on the West.
From 1783 onward, Moscow used its sea presence to bedevil the Ottomans, winning more territory through considerable bloodshed and destruction. Moscow rapidly expanded its naval operations from the Black Sea into the Aegean and Mediterranean seas. As it did, European powers rushed to head off Russia at the Bosporus and Dardanelles straits. 
The competition led to another war in Crimea, the Crimean War of 1853-56. This one was the result of British and French unwillingness to let Russia fully dominate the Black Sea at the expense of the Ottoman Empire, which also wanted influence in the area. The war was less a local skirmish than a preview of the world wars to come.
On paper, Russia lost the battle and the Ottomans won. In truth, though, it was French and British forces that had really won the war on behalf of the Ottomans. Even so, the Ottoman imperial administrators misinterpreted the victory, and feeling superiority, became lethargic. 
Russians, meanwhile, used the Crimean defeat as an opportunity to undertake a number of important reforms. In the end, the reforms did not prevent the demise of the Tsarist regime, but they did afford it a slower decline than the one that shook the Ottomans. Thus, by the late nineteenth century, Russia was ready to dominate the Ottoman Empire in the Caucasus, the Balkans, and the Black Sea once more.
Of course, Russian sovereignty there never stopped Turkey from feeling tied to Crimea. In those years, the region became the Paris of Muslim intellectuals. It produced the founding fathers of modern Turkish nationalism, including Yusuf Akçura and İsmail Gasprinski. 
For Turkey, though, Crimea held more than cultural importance. In his book Shattering Empires, the Princeton associate professor Michael Reynolds reveals that Crimea was also crucial to the Ottoman intelligence system, which believed that if Ukraine could be separated from Russia, Russia would crumble. That could pave the way for Ottoman re-ascendance in the Black Sea. According to intelligence agents, the Ottomans’ best strategy would be to stir up Muslim-Tatar discontent in Crimea.
With Sevastopol and Tartus providing Russia access to warm waters on both sides of the Anatolian peninsula, Turkey will find itself practically surrounded by a swelling Russian Navy.
It is perhaps not surprising, then, that in 1914, the Ottomans entered World War I by bombing Russia’s Sevastopol naval port in Crimea, which had become a symbol of Russian expansionism. The mission was a success; it crippled Russia’s Black Sea operations throughout the Great War. 
Yet, once again, it was an outside power that had really enabled the Ottoman win. Lacking in naval military technology of its own, the empire had used two smuggled German warships, the Goeben and the Breslau, for the attack. 
When the Russian ambassador to the Ottoman Empire left Istanbul right after the bombing, he hypothesized that the Ottomans might win the battle but would lose overall: “If Germans win, Ottomans will become their colonies. If the British win, the Ottoman Empire will disintegrate.” By the time he returned to Istanbul after the war was over, he remarked, it might even be a Russian city. 
In the event, Russia did make more gains against the Ottomans than many Turks initially expected. But the Bolshevik Revolution in 1917, which prompted the Tsar to call his army home from eastern Anatolia, unexpectedly saved the Ottoman Empire from certain Russian onslaught.
The postwar period marked a rare thaw in Russian-Turkish relations. Unable to throw its weight around in the Black Sea because of its post-revolutionary weakness, the newly proclaimed Soviet Union abandoned its former Tsarist expansion strategy and opted for cooperation instead. 
Meanwhile, the Ottoman Empire was undergoing changes of its own, namely, giving way to the Turkish republic under Mustafa Kemal Atatürk. Indeed, some say that this Lenin-Atatürk era was the only real period of collaboration between Russia and Turkey in history. In those days, popular leaders of both post-imperial states emphasized resistance against the West, and Crimea diminished as a sticking point between them. 
But any cordiality between the two powers soon disappeared when Russia, now headed by Joseph Stalin, emerged from World War II as the hegemon of the greater Eurasian basin. He pushed for the restitution of the northeastern Anatolian provinces of Ardahan, Artvin, and Kars to the Soviet Union and demanded a special status for Soviet vessels passing through the Bosporus strait. 
Several times, Stalin challenged the 1936 Montreux Convention Regarding the Regime of [Turkish] Straits, which had regulated naval passage through the Bosporus and the Dardanelles straits for over a decade. According to Stalin, the agreement was no longer relevant in the post­–World War II world -- a world in which the new Russia could not be subjected to the whims of the Turkish government. 
In British records of the Yalta Conference at the end of World War II, Stalin is noted as asking Winston Churchill, then British prime minister, “What would Britain do if Spain or Egypt were given this right to close the Suez Canal, or what would the United States say if some South American republic had the right to close the Panama Canal?” (Prime Minister Anthony Eden’s government would answer in 1956, when the United Kingdom, with France and Israel, tried to reassert its control over the Aswan Dam through military force after Egyptian President Gamal Abdel Nasser did just what Stalin had suggested and closed off the Suez Canal.)
In this period, Turkey, which under Atatürk’s rule had emphasized cooperative nonalignment, had to switch course. It could no longer withstand the pressures of a resurgent Russia. And so it joined NATO in 1952.
When the Soviet Union eventually collapsed, the Black Sea region became more globalized. Countries worked through multilateral organizations such as the BSEC (Organization of the Black Sea Economic Cooperation) and created a system of regional interdependence to diffuse potential post­­–Cold War crises. 
Turkey emphasized its role as a stabilizer in the Black Sea, and Russia emphasized its ability to provide natural gas for all. Because the region seemed relatively settled, over the last 20 years Turkish academia and the public have paid relatively less attention to it, looking instead to Turkey’s role in the Middle East or to its European Union vocation. Perhaps they shouldn’t have lost focus. 
DÉJÀ VU ALL OVER AGAIN
In March, when Russia overtook Crimea and announced its intentions to “fully utilize the geostrategic potential of Crimea” and to further develop Russia’s Black Sea fleet, “an important task for the country when a number of agreements were annulled with Ukraine after the Crimean Peninsula was reunited with Russia last month,” all that changed. Suddenly, peace and stability -- only the second stretch of it in Turkish-Russian history -- once more gave way to Russian expansionism.
Some have argued that marching on Crimea was a last-gasp effort by Putin to save his fragile rule. But from the Turkish perspective, Russia’s invasion of Crimea fits a 340-year pattern. 
First, some military historians believe, Russia tends to expand when all of its neighbors are weak and unable to respond. Second, domination of the Black Sea is usually a shot across the bow; it presages further interventions. Third, Black Sea domination has inevitably required a revisionist stance on the status of the Bosporus strait, because patrolling Russian ships can only move down into the Mediterranean through that single bottleneck. 
Of course, Western powers see any Russian presence in the Mediterranean as a threat. Russia, therefore, doesn’t assert itself in the Black Sea without preparing for a conflict (although not necessarily military or immediate) with other major powers. 
Many aspects of Russia’s moves in Ukraine do fit that historical pattern. The response from Russia’s Western balancers has been weak and divided. The Syrian war, many argue, demonstrated to Russia that the United States’ ability to project power close to the Russian zone of influence is limited. And nearly every Western military is dealing with major budget cuts. Russia might be weak as well, the thinking goes, but its immediate neighbors are even weaker -- and the West isn’t ready to protect them. 
Turkey, too, is dreadfully exposed in the Black Sea. In early August 2013, Turkey’s ruling Justice and Development Party (AKP) canceled the decade-long Turkish National Warship Project (MİLGEM), a naval modernization program that involved the construction of high-tech stealth corvettes. (The cancellation had less to do with the project itself than with the AKP’s feud with the project’s main financier, Koç Corporation.) 
In September 2013, Turkey made a fateful decision to choose a Chinese HQ-9 T-LORAMIDS missile defense system over Raytheon and Lockheed Martin’s Patriots, Russian S-300s, and Italian-French SAMP/T Aster 30. With MİLGEM shelved and with a shoddy and uncertain missile defense system barely in place, Turkey has no reassuring plan to counter Russia’s expansion of the Black Sea fleet. 
Ongoing negotiations over exclusive economic zones in the region, and over Turkey’s offshore oil and gas exploration efforts, will take a hit.
Mark Galeotti, a professor at New York University, contends that Russian capabilities in the Black Sea are still relatively rudimentary, and that the force would not be able to survive a larger confrontation with NATO. But Russia is likely betting that NATO won’t get involved. In fact, Russians still remember the 1853 Crimean War and are good at calculating just how far they can push before provoking a major Western backlash. 
But even if Moscow is careful, Russian involvement in the Black Sea will inevitably complicate things for Turkey. For one, Russia is confident that Syrian President Bashar al-Assad will eventually win the civil war in Syria and, as thanks for Russian support throughout the war, will allow Moscow longer-term access to the Tartus naval base in Syria. With Sevastopol and Tartus providing Russia access to warm waters on both sides of the Anatolian peninsula, Turkey will find itself practically surrounded by a swelling Russian Navy.
Because of that, ongoing negotiations over exclusive economic zones in the region, and over Turkey’s offshore oil and gas exploration efforts, will take a hit. Russia could potentially start to quibble over the legal status of the Bosporus strait, arguing -- like Stalin -- that Montreux requires updating to give Russia unimpeded access to the area. 
The Russian Navy has already proved willing to throw its weight around on such matters, especially in the eastern Mediterranean, where Israel and Cyprus have started crisscrossing the sea, surveying for natural gas. In response, Russia has reminded Cyprus of its control over Cypriot banks even as it has treaded more carefully with Israel.
Russia has played much rougher with the United States. It sees gas exploration missions launched from Turkey’s Black Sea coast and run by Exxon-Chevron as Western imperialism. 
The Crimean invasion was perhaps the clearest Russian warning about those activities to date: Exxon, Chevron, and Shell’s operations in the Black Sea are now in legal limbo. The three companies had signed deals for offshore exploration and drilling along the Ukrainian coast before the Crimean annexation, and now, with a swelling Russian Navy in the Black Sea, those deals are very much in doubt.
By encircling the Anatolian peninsula, Putin is also making a statement against Europe’s Southern Gas Corridor strategy and offering a direct challenge to the Trans-Anatolian Natural Gas Pipeline Project (TANAP), which bypasses Russia to feed Azeri gas into Europe. 
Russia’s feelings about the matter were perhaps best summed up in a recent statement by Dmitry Rogozin, the Russian deputy premier, who said that two French Mistral-class amphibious assault ships, which Russia purchased from France before the showdown over Crimea, should be delivered to Russia “as soon as possible” or France should return 1.2 billion euros. 
If Russia does end up acquiring the assault ships, each able to carry 16 helicopters, 70 armored vehicles, and 450 soldiers, they will render Russia capable of launching small-scale incursions into all Black Sea littoral states, which could halt the European Southern Gas Corridor strategy in its tracks.
This all sounds like bad news -- and it is. If there is one reason for hope, though, it is that Russian expansionism under Stalin pushed Turkey to become a staunch NATO ally. The Crimean invasion might just push Turkey, which under Prime Minister Recep Tayyip Erdogan had been drifting away from the West, to remember why his country joined the alliance in the first place. 
Simply put, neither the Ottoman Empire nor modern Turkey has ever been able to deter or resist Russian expansionism on its own. When it plays along with Russian demands in the short term, Russia has always become more assertive. 
Since 1689, Turkey’s only real option for survival has been to work with allies. But getting to that point requires a solid and measurable commitment to Turkey by the West. Every time the two have joined forces, the West has made credible demonstrations of its resolve. 
For now, though, it is unclear whether NATO will get involved in Ukraine. The extent to which it does -- to which it demonstrates a strong will to check Russia -- will determine whether Turkey will join the effort of containment or simply crumble under Russian pressure.
fonte: Foreign Affairs 

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