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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Política Externa Brasileira e as relações com América do Sul

Com Lula e Evo Morales ao centro, líderes posam para foto na reunião da Cúpula das Américas em 2009




















Folha SP
Matias Spektor
01 Jun 2017

A crise da liderança brasileira na América do Sul não é o que você pensa

Ganha tração a tese segundo a qual a Lava Jato teria exposto o fracasso do projeto de liderança brasileira na América do Sul.

Uma das vozes mais influentes nesse debate é Andrés Malamud, da Universidade de Lisboa. Em artigo recém-publicado no jornal argentino "La Nación", ele argumenta que, devido à recessão e à corrupção, o Brasil teria perdido o dinheiro e a autoridade moral necessários para liderar a região. Sem Forças Armadas devidamente equipadas, qualquer ambição de liderança apenas seria uma quimera.

À primeira vista, tal análise é atrativa. Seu único problema é estar equivocada.

De fato, durante a Nova República criou-se um projeto estratégico para a América do Sul. 

De Sarney a Lula, todos os presidentes brasileiros seguiram seus ditames.

No entanto, o objetivo de tal política jamais foi o de exercer liderança, se liderança é o processo pelo qual um país custeia instituições regionais, provê segurança para os países de seu entorno e compra a adesão de seus vizinhos mais fracos no intuito de ter seguidores. O Brasil da Nova República nunca dispôs dos recursos materiais para algo assim.

Antes, o projeto regional buscou satisfazer outras necessidades do sistema político brasileiro. Em primeiro lugar, a política regional serviu para reduzir os custos e os danos causados pela fricção com uma vizinhança complexa e difícil. Os países do entorno sempre foram vistos em Brasília como fonte de problemas atuais ou potenciais, e a política externa buscou limitar esses atritos sem grandes investimentos.

Além disso, a diplomacia buscou regionalizar o capitalismo brasileiro a favor de grandes conglomerados nacionais. Grupos públicos e privados do Brasil viraram credores, investidores, compradores e vendedores de alto perfil em todos os países da região, contando para isso com subsídios do BNDES e do Banco do Brasil. A diplomacia serviu para facilitar esse processo.

Por fim, a diplomacia sul-americana foi um instrumento a serviço de sucessivos presidentes brasileiros na obtenção de apoio e legitimidade para suas respectivas batalhas em Brasília. Sarney usou a relação com Alfonsín para ganhar força diante dos militares. 

FHC usou o Mercosul para garantir uma política anti-inflacionária perante um Senado arredio. E Lula financiou as campanhas de Hugo Chávez para consolidar posições favoráveis ao PT numa região ideologicamente dividida.

Segundo a retórica oficial, o Brasil concebe a América do Sul como âncora de sua projeção global. Mas é só retórica. A crise atual não golpeia uma suposta liderança regional que nunca existiu. Ela apenas expõe os mecanismos mais profundos de uma estratégia que vive hoje seu pior momento.

fonte: Folha SP

sexta-feira, 20 de maio de 2016

José Serra no MRE: como ficam as relações com a América Latina ?




















Com Temer e Serra, como ficam as relações do Brasil com a América Latina?

UOL
20 maio 2016

O governo do presidente interino Michel Temer (PMDB) reagiu de forma dura a manifestações de governos de países como Venezuela, Equador, Cuba e Nicarágua com críticas ao processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT). O mesmo aconteceu em relação à Unasul (União de Nações Sul-americanas). Os atritos podem abalar as relações do Brasil com os países da América Latina?
Os governos de países que questionaram o afastamento de Dilma são mais próximos, ideologicamente, ao PT. "A nossa política externa será regida pelos valores do Estado e da nação, não de um governo e jamais de um partido", afirmou o ministro de Relações Exteriores, José Serra, em seu discurso de posse na quarta-feira (18).
Antes, o ministério havia emitido notas para rechaçar aquilo que considerou "falsidades" propagadas por Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador e Nicarágua. Em relação ao secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, o governo interino afirmou que seus "juízos e interpretações em geral são incompatíveis com as funções que exerce e com o mandato que recebeu".

Comércio preservado

Especialistas em relações internacionais entendem que a mudança de governo no Brasil e o tom adotado inicialmente pelo ministro das Relações Exteriores, José Serra, podem dificultar a formulação de consensos na região, mas não devem prejudicar as negociações bilaterais e o comércio com cada país latino-americano.
"De todas as políticas de Estado, a política externa é a que mais demora para ter algum tipo de alteração", afirma Reginaldo Nasser, professor de Relações Internacionais da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).
Muitas vezes, diz o pesquisador, divergências ideológicas não abalam as relações comerciais entre países. Ele cita como exemplo o período em que Venezuela e Estados Unidos mantiveram seus negócios mesmo com a forte polarização entre os então presidentes Hugo Chávez e George W. Bush. "Em política externa, há muito mais barulhos do que fatos."
Nasser também afirmou que o recado de Serra a governos latino-americanos de esquerda representa mais uma sinalização para reforçar seu próprio campo ideológico no Brasil. O ministro teria a pretensão de viabilizar para 2018 sua terceira candidatura a presidente – foi derrotado nas eleições de 2002 e 2010. "O recado é no momento um instrumento muito mais para dentro do que para fora do país."

Exportações para América Latina são importantes

Alcides Cunha, professor do Instituto de Relações Internacionais da UnB (Universidade de Brasília), também acredita que o comércio com países latinos críticos ao governo interino será preservado.
De acordo com dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, as exportações brasileiras para o conjunto dos países da América Latina equivaleram em 2015 às vendas para a Europa, superaram as vendas para os Estados Unidos e só ficaram abaixo do total exportado para a Ásia.
O governo interino tem a intenção de aumentar as exportações de produtos manufaturados para os países mais ricos. Mas a ampliação da capacidade brasileira de exportar manufaturados esbarra, segundo Alcides Cunha, em dois limites: a reduzida competitividade da indústria nacional e a dificuldade de se estabelecer acordos comerciais que viabilizem a entrada de produtos nesses países.
"A competitividade da nossa indústria não se resolve em pouco tempo", afirma o docente da UnB. Em sua opinião, essas dificuldades reforçam a necessidade de o Brasil manter os laços comerciais com os latino-americanos. "A venda de produtos brasileiros industrializados só tem dinamismo no mercado regional [atualmente]."

Atenção ao Mercosul 

Na opinião de Alcides Cunha, a nova posição de Serra em relação ao Mercosul já reflete o pragmatismo influenciado por interesses comerciais. Apesar de ser um crítico do bloco, o tucano defendeu, durante o discurso de posse, sua renovação e seu fortalecimento.
Também afirmou que "um dos principais focos de nossa ação diplomática em curto prazo será a parceria com a Argentina". "Por mais que Serra não goste, a indústria brasileira depende do Mercosul", comenta o pesquisador.
"Nas relações bilaterais com países como Bolívia e Venezuela, as divergências políticas tendem a ser absorvidas. Os negócios deverão estar na agenda. A clivagem política vai ser mitigada pelos interesses comerciais, pela busca de cooperação com os países vizinhos, pela dificuldade estrutural de mudar a composição da pauta exportadora brasileira e de conseguir maior presença comercial nos países mais dinâmicos", diz Alcides Cunha.

Crise na Venezuela

Para o professor da UnB, a cisão ideológica entre os governos da região deve paralisar a Unasul, e esse impasse não deve ser resolvido rapidamente porque depende, principalmente, do desfecho das crises internas da Venezuela e do próprio Brasil.
O diretor para as Américas da organização Human Rights Watch, José Miguel Vivanco, afirmou nesta quinta-feira (19) que a situação na Venezuela é muito grave e indicou a necessidade de a comunidade regional atuar para "evitar que se transforme em violência".
O governo Nicolás Maduro tenta impedir a realização de um referendo que poderia revogar o mandato do presidente venezuelano. A Human Rights Watch pediu nesta semana que a OEA (Organização de Estados Americanos) invoque a Carta Democrática Interamericana para exigir que a Venezuela proteja os direitos fundamentais dos cidadãos e restabeleça a independência dos organismos judiciais.
fonte: UOL

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Análise: Novos Desafios na Integração Sulamericana

Um recente informe da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal), “Panorama Social da América Latina 2014”, mostra um dado preocupante. 
Nos últimos três anos os níveis de pobreza teriam deixado de cair na nossa região. 
Como esse estancamento deu-se na porcentagem de pobres sobre a população total, e esse denominador tem um crescimento vegetativo, significa que o número absoluto de pessoas na pobreza tem aumentado.
A queda continuada em números absolutos e relativos da pobreza na região era uma das marcas do ciclo de governos progressistas na América Latina, iniciado com o governo Chávez na Venezuela em 1999 e muito reforçado pelo governo Lula desde 2003. As Missões na Venezuela e o Bolsa Família no Brasil são referências nesta pauta. 
Mas há que se destacar que, para além de programas-estrela, tratou-se de um conjunto de medidas que impulsionavam a região para além da herança neoliberal dos anos 1980-90. Em vários casos vimos avançar a volta do mercado de trabalho formal, do aumento dos salários reais e da cobertura da seguridade social. 
Como resultado mais amplo também os indicadores de desigualdade social, medida pela renda, começaram a ceder.
O fenômeno detectado pelo informe da Cepal merece uma análise mais aprofundada e abrangente de que ainda não dispomos. Mas propomos a seguir alguns pontos de análise econômica e identificamos desafios políticos que se abrem para América Latina, em geral.
A crise do capitalismo central em 2008 pegou a região em uma fase intermediária. Muitos governos tinham iniciado políticas pós-neoliberais, no combate à pobreza e na recuperação do papel do Estado na economia e na sociedade, mas continuavam muito dependentes de um mercado mundial capitalista globalizado – tanto para financiar suas economias com exportações decommodities como para satisfazer seu consumo interno com produtos industrializados importados extrarregião. 
Podemos resumir na fórmula:  Fortaleza política interna graças a um eleitorado que reconhece que sua situação socioeconômica melhorou muito nesses anos, dificuldades econômicas externas pela vulnerabilidade frente às pressões do capital financeiro internacional.
Todo o questionamento feito desde o sindicalismo e os demais movimentos sociais ao projeto da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) na campanha vitoriosa desenvolvida entre 1997 e 2005 vinha acompanhado de uma proposição sobre a necessidade de uma nova arquitetura financeira regional. 
De fato, os governos ensaiaram alguns passos. Decidiram que o comércio intrarregional poderia se fazer sem o uso do dólar como moeda de trocas, bem como sobre a criação de bancos regionais fora do alcance das decisões dos países do capitalismo central, e também, a respeito de processos de cooperação e intercâmbio tecnológico e social. 
Porém, tudo isso foi muito pouco desenvolvido, seja no âmbito do Mercosul, da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) ou da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Faltou tempo, mas sobretudo faltou decisão política de se avançar aceleradamente neste rumo.
Os recentes acordos com a China para aceder a pacotes de investimentos e financiamentos permite aliviar a situação de nossos países, mas não resolve o problema estrutural da fragilidade de nossas economias quando dispersas e expostas às pressões do capitalismo central. 
A construção de graus maiores de autonomia econômica regional no contexto da nova geometria do poder mundial passa por uma construção econômico-financeira regional que está muito aquém das nossas necessidades.
Esse déficit econômico no processo da integração não elimina, no entanto, o fato de que a construção regional política tenha continuado e em ritmo bastante acelerado. A Unasul tem tido um papel chave em constituir uma política de defesa regional e afastar gradualmente a América do Sul da área de influência dos EUA. 
O Mercosul continua crescendo regionalmente e, depois do ingresso da Venezuela, Bolívia e Equador estão em processo de incorporação. A Celac já é uma realidade, depois de passar pela presidência pro-tempore de Cuba.
Essa construção política regional está por detrás da mudança de política diplomática do imperialismo norte-americano. Em 2009, Washington teve de aceitar que a Organização de Estados Americanos (OEA) retirasse as sanções impostas por esse organismo interamericano em 1962 a Cuba. Agora em 2015 vai ter de aceitar a presença do presidente cubano na “Cúpula das Américas” a ser realizada em Panamá em abril. 
A recente retomada pelos governo Obama-Raúl Castro das relações diplomáticas são outro indicador de que os avanços regionais obrigam a diplomacia norte-americana a uma disputa hegemônica mais no campo da política que da força – mas sem perder a grossura, jamais!, como mostra o assédio à Venezuela que, ao mesmo tempo, tem contado com o apoio da Celac contra as sanções norte-americanas.
A provável eleição do atual chanceler uruguaio, Luis Almagro, militante da Frente Ampla, para o cargo de Secretário-geral da OEA na próxima Assembleia Geral em junho de 2015 seria um ponto alto de mudança no terreno político. 
Finalmente teremos um diplomata de esquerda dirigindo a principal trincheira da política “panamericanista” – expressão da velha Doutrina Monroe de uma América Latina como “pátio traseiro” da hegemonia norte-americana – não como rendição do progressismo latino-americano, mas como expressão do recuo norte-americano.
Mas todos esses avanços no plano da política irão por água abaixo se o capital internacional e o governo dos EUA encontram uma região dispersa e fragilizada economicamente. 
É hora de a política conduzir a economia e acelerar a integração regional produtiva e financeira para resgatar definitivamente a dívida social com nossos povos !
*Rafael Freire é Secretário de Política Econômica e Desenvolvimento Sustentável da Confederação Sindical de Trabalhadores-as das Américas (CSA) e integrante do Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais/GR-RI.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Aliança do Pacífico



Bloco formado por Chile, Colômbia, México e Peru supera desafios iniciais e tem se mostrado mais viável que o Mercosul. Mas especialista lembra que países-membros têm à frente muitos desafios, que não podem subestimar.

Evan Romero Castillo
19.06.2014

Em se tratando de projetos de integração comercial latino-americanos, a primeira instância que vem à mente de muitos europeus é o Mercosul. O bloco – criado em 1991 pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, e que desde 2012 conta com a participação da Venezuela – tem frustrado as expectativas de seus membros e de potenciais sócios, devido a problemas político-econômicos. 
E agora corre o risco de ficar apagado pela recém-formada Aliança do Pacífico.
A fundação desta foi proposta há apenas três anos, pelo então presidente peruano Alan García. Neste pouco tempo, porém, o bloco formado pelo Chile, Colômbia, México e Peru tem tido bom desempenho. Ele já superou, por exemplo, um dos desafios mais espinhosos ao eliminar, em fevereiro de 2014, as barreiras tarifárias de 92% dos produtos que circulam em seus países-membros.
Nesta quinta-feira (19/06), a Aliança do Pacífico realiza sua nona reunião de cúpula no balneário mexicano de Punta Mita, onde deve anunciar sua ampliação, com a adesão da Costa Rica.
"A plena adesão de Costa Rica e do Panamá já era prevista desde que a Aliança os aceitou como Estados observadores. Por mando de Rafael Correa, o Equador não faz parte do bloco, mas deverá se aproximar da Aliança assim que houver uma mudança de governo nesse país", afirma Ana Soliz Landivar, do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (Giga), em Hamburgo.
Ela acrescenta que os líderes latino-americanos deveriam se abrir a políticas econômicas e comerciais mais pragmáticas, como as que prevalecem na Aliança do Pacífico, um grupo que "tem perspectivas promissoras".
"Bloco cumpre o que promete"
Ainda de acordo com a especialista do Giga, o interesse de outros países no bloco se deve ao fato de ele cumprir o que promete. Desde 2011, o Chile, a Colômbia, México e Peru têm dado impulso à circulação de bens, serviços e cidadãos. 
Os países também estimulam o turismo entre si, uniram suas bolsas de valores e têm aberto embaixadas conjuntas na Ásia e na África.
"Não há comparação com outros blocos", pois a Aliança se apresenta como um modelo de integração pragmático, facilitando o trabalho e abrindo muitas portas. Segundo Soliz Landivar, o bloco se orienta claramente pelo livre-comércio, entre seus membros e com terceiros. 
Como não há discordâncias ideológicas até o momento, a interação se faz mais fácil. "Essa visão comum contribui para que os tratados entre seus países tenham continuidade, adquirindo o caráter de políticas do Estado, não de governos passageiros", diz a analista.
Sem negar as virtudes concretas e potenciais da Aliança do Pacífico, a cientista social Claudia Zilla, da Fundação Ciência e Política (SWP), de Berlim, ressalta que boa parte do prestígio tem se baseado até agora numa campanha promocional bem orquestrada. 
A mensagem mais recorrente são as características do conjunto dos países-membros: o bloco tem uma população total de 212 milhões, com cada vez mais poder aquisitivo, e representa 36% do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e Caribe, região rica em matérias-primas e alimentos.
Perfil próprio
Bolsa de valores do México vai se unir com as do Chile, Colômbia e Peru
Zilla teme, porém, que todo esse entusiasmo em torno da Aliança do Pacífico a faça superestimar o que pode alcançar a curto prazo. Pois há alguns pontos fracos – e sérios desafios pela frente. 
Por exemplo: o bloco é predominantemente comercial, mas os seus membros produzem mais ou menos os mesmos produtos.
"O que fabrica produtos mais elaborados é o México. E isso é um problema. Eles se organizaram para conseguir que suas economias e cadeias de produção se complementem?", pergunta a especialista da SWP.
Por outro lado, aponta, a Aliança prima por um excesso de diplomacia, ao enfatizar que seu objetivo não é competir com o Brasil no mercado sul-americano. 
Para Claudia Zilla, será interessante ver, em três anos, se os produtos acabados mais consumidos no Chile e Peru são provenientes do Brasil ou do México.
"A Aliança deve desenvolver um perfil próprio, que não esteja definido em função do que outras instâncias, como o Brasil, fazem ou deixam de fazer", aconselha. 
"Considerando que o que une a Aliança do Pacífico são as relações bilaterais entre seus sócios, cabe perguntar se os Estados-membros defenderão seus interesses em conjunto, para ter uma melhor base de negociação frente aos países da faixa Ásia-Pacífico."
Aos olhos da analista, os países-membros do bloco têm que observar um detalhe muito importante: eles devem evitar se tornar vítimas do próprio êxito, e atentar para que a eficiência do bloco não seja comprometida por uma burocratização excessiva ou pelo crescimento desmedido de sua estrutura.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

IIRSA e COSIPLAN

La Iniciativa para la Integración de la Infraestructura Regional Suramericana (IIRSA) es un mecanismo institucional de coordinación de acciones intergubernamentales de los doce países suramericanos, con el objetivo de construir una agenda común para impulsar proyectos de integración de infraestructura de transportes, energía y comunicaciones.
La Iniciativa surgió de la Reunión de Presidentes de América del Sur realizada en Agosto del año 2000 en la ciudad de Brasilia. 

Durante sus diez años de trabajo, la Iniciativa IIRSA se constituyó como un foro esencial de los doce países para la planificación de la infraestructura del territorio suramericano con una visión regional y compartida de las oportunidades y obstáculos del subcontinente. 

En el marco de IIRSA, por primera vez América del Sur ha actuado como una unidad singular e integrada, siendo los resultados más significativos de este trabajo, los siguientes:

1. El desarrollo y aplicación de la Metodología de Planificación Territorial Indicativa que dio como resultado una Cartera consensuada de más de 500 proyectos de infraestructura de transporte, energía y comunicaciones, organizada en nueve Ejes de Integración y Desarrollo (EIDs);

2. La conformación de la Agenda de Implementación Consensuada (AIC) 2005-2010 que consiste en un conjunto de 31 proyectos prioritarios con fuerte impacto en la integración física del territorio;

3. El desarrollo de proyectos en materia de Procesos Sectoriales de Integración (PSIs); y

4. El desarrollo y aplicación de nuevas herramientas y metodologías de planeamiento.                
             
A partir del año 2011, la Iniciativa IIRSA se incorpora al trabajo de Consejo Suramericano de Infraestructura y Planeamiento de la UNASUR (COSIPLAN) como su foro técnico para temas relacionados con la planificación de la integración física regional suramericana, iniciándose una nueva etapa en el trabajo de IIRSA.
IIRSA en el COSIPLAN (2011)

La Iniciativa para la Integración de la Infraestructura Regional Suramericana (IIRSA) es el Foro Técnico para temas relacionados con la planificación de la integración física regional suramericana del Consejo Suramericano de Infraestructura y Planeamiento (COSIPLAN) de la Unión de Naciones Suramericanas (UNASUR).
La UNASUR fue creada por los presidentes suramericanos en 2008 como un espacio de articulación y diálogo político de alto nivel que involucra a los gobiernos de los doce países de América del Sur. Una de sus prioridades es el desarrollo de infraestructura para la interconexión de la región. 

El COSIPLAN es la instancia dentro de UNASUR que tiene la responsabilidad de implementar la integración de la infraestructura regional.
En este contexto, la Iniciativa IIRSA cumple con las siguientes funciones, indicadas en el artículo 5b) del Reglamento del COSIPLAN:

1. Elaborar la planificación para la integración física regional de América del Sur.

2. Actualizar, evaluar y monitorear la ejecución de la Cartera de Proyectos de
 Infraestructura para la integración física regional.

3. Desarrollar y aplicar metodologías para enriquecer la Cartera de Proyectos, atendiendo criterios de desarrollo social y económico sustentables, preservando el ambiente y el equilibrio de los ecosistemas.

4. Actualizar, reformular y dar seguimiento a la Agenda de Implementación Consensuada.

5. Mantener permanente intercambio de información y colaboración con el Comité
 Coordinador.

6. Presentar al Comité Coordinador sus aportes para el Plan de Acción y el Plan de Trabajo Anual.

7. Presentar al Consejo correspondiente el informe de actividades realizadas.

8. Las demás funciones necesarias para el cumplimiento de sus objetivos y las que 
adicionalmente le asigne el Consejo.
fonte: IIRSA

domingo, 25 de maio de 2014

UNASUL completa 6 anos

Tratado Constitutivo da UNASUL (União de Nações Sul-Americanas), assinado em Brasília, em 23 de maio de 2008, completa hoje seis anos.
UNASUL é formada pelos doze países da América do Sul. Com sua criação, o continente passou a articular-se em torno de áreas estruturantes, como energia e infraestrutura, e a coordenar suas posições políticas.
A UNASUL tem como objetivo construir um espaço de integração das sociedades sul-americanas. 
Hoje, a região passa por um importante momento de estabilidade democrática e de avanços sociais. Isso acontece devido à convergência, entre os governos da região, para a promoção do desenvolvimento econômico com inclusão social, o que se beneficia da coordenação política entre os países. 
A UNASUL tem demonstrado que é possível fortalecer a integração e identificar consensos, respeitando a pluralidade. Prioriza o diálogo e visa a estimular a paz e a segurança, diminuir a desigualdade socioeconômica e alcançar a inclusão social e a participação cidadã, fortalecendo a democracia e reduzindo as assimetrias na América do Sul.
ESTRUTURA
Os seguintes órgãos compõem a estrutura institucional da Organização: 
a) Conselho de Chefes de Estado e de Governo; 
b) Conselho de Ministros das Relações Exteriores; 
c) Conselho de Delegados; e 
d) Secretaria-Geral.
A UNASUL conta também com doze conselhos ministeriais: 
a) Energia; 
b) Saúde; 
c) Defesa; 
d) Infraestrutura e Planejamento; 
e) Desenvolvimento Social; 
f) Problema Mundial das Drogas; 
g) Educação; 
h) Cultura; 
i) Ciência, Tecnologia e Inovação; 
j) Economia e Finanças; 
l) Segurança Cidadã, Justiça e Coordenação de Ações contra a Delinquência Organizada Transnacional; e 
m) Conselho Eleitoral.
Integram a Organização, como instâncias independentes dos Conselhos Ministeriais setoriais: 
a) Grupo de Trabalho sobre Mecanismos de Solução de Controvérsias em Matéria de Investimentos, 
b) Grupo de Alto Nível sobre Direitos Humanos, 
c) Grupo de Alto Nível sobre Gestão do Risco de Desastres, 
d) Grupo de Trabalho sobre Cidadania Sul-Americana e 
e) Foro de Participação Cidadã.
Reunião do Conselho de Ministros nas Ilhas Galápagos
Hoje, durante uma Reunião do Conselho de Ministras e Ministros das Relações Exteriores da UNASUL, nas Ilhas Galápagos, Equador, foi comemorado o sexto aniversário do Tratado de Brasília.
Na reunião de Galápagos, os Chanceleres discutiram temas como o fortalecimento do Sistema Interamericano de Direitos Humanos e o papel positivo dos países da UNASUL na promoção do diálogo entre o Governo e a oposição na Venezuela. Trataram, ainda, de assuntos de caráter institucional, como o orçamento e a sucessão do Secretário-Geral do órgão.
COSIPLAN - Infraestrutura e Planejamento
A Organização vem passando por uma fase de consolidação. 
Um dos principais temas que marcam seus trabalhos é o reiterado compromisso com a integração da infraestrutura física regional, requisito imprescindível para a efetiva conexão de nossas cadeias produtivas e para o fortalecimento de nossas economias. 
O Brasil sempre contribuiu para o desenvolvimento dos trabalhos do Conselho de Infraestrutura e Planejamento (COSIPLAN), criado em agosto de 2009 pelos Presidentes sul-americanos, com o objetivo de conferir suporte político de alto nível à discussão sobre a integração da infraestrutura física regional. 
O COSIPLAN conta com uma Agenda Prioritária de Projetos, composta por 31 iniciativas de caráter estratégico, com investimentos estimados em mais de US$ 16,7 bilhões. Os projetos da Agenda Prioritária voltam-se à busca pelo alto impacto sobre o desenvolvimento econômico e humano, aliados à sustentabilidade socioambiental, ultrapassando a simples construção de corredores de exportação.
Conselho de Defesa Sul-americano (CDS)
A UNASUL desenvolveu também um importante trabalho na área de defesa. O Conselho de Defesa Sul-americano (CDS) conseguiu, em pouco tempo, criar um ambiente muito positivo de construção de confiança, prevenção de conflitos e promoção da integração na área de indústria de defesa na região.
Recursos Naturais
Um tema que vem recebendo atenção crescente na Organização é o desenvolvimento de uma estratégia sul-americana de aproveitamento dos recursos naturais, que são uma das principais vantagens comparativas da América do Sul. No continente está a maior reserva de petróleo do mundo e cerca de um terço de todos os recursos hídricos do planeta. 
A América do Sul concentra quase 40% da reserva biogenética mundial. A região é a 3º maior produtora mundial das principais culturas agrícolas (trigo, milho, soja, açúcar e arroz). Projeta-se que, até 2050, a América do Sul será responsável por 30% da produção agrícola do mundo.
Em apenas seis anos, a UNASUL foi capaz de apresentar consensos muito fortes sobre diversos temas da ampla agenda regional, demonstrando a extrema relevância de sua criação para a política sul-americana.

terça-feira, 13 de maio de 2014

CELAC
















Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (em espanhol: Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños; em francês Communauté des États latin-américains et caraïbéens), é um organismo internacional, herdeiro do Grupo do Rio e da CALC, a Cúpula da América Latina e Caribe sobre Integração e Desenvolvimento.
Grupo do Rio
Grupo do Rio (ou Mecanismo Permanente de Consulta e Concertação Política da América Latina e do Caribe) é um mecanismo de consulta internacional constituído por Estados democráticos latino-americanos e caribenhos. 
Foi criado em 18 de dezembro de 1986, por meio da Declaração do Rio de Janeiro, assinada por Argentina, Brasil, Colômbia, México, Panamá, Peru, Uruguai e Venezuela. O Grupo do Rio não possui secretariado permanente e funciona com base em reuniões de cúpula anuais. As suas decisões são adotadas por consenso.
Foi originalmente criado para substituir o Grupo de Contadora (México, Colombia, Venezuela e Panamá) e o Grupo de Apoio a Contadora (Argentina, Brasil, Peru e Uruguai), com o nome de "Grupo dos Oito"; em 1990, adotou o nome "Grupo do Rio".

CALC
Desde meados do século XX, a integração regional consolida-se como importante fenômeno internacional. O estreitamento dos laços políticos e econômicos entre povos que compartilham herança histórica e vizinhança geográfica permite enfrentar melhor os desafios do mundo globalizado.

Com vistas a fortalecer as relações entre os países da região, o Brasil propôs, em 2008, a realização da I Cúpula da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento (CALC), na Costa do Sauípe, Bahia. 
A CALC foi uma iniciativa histórica: pela primeira vez, em dois séculos de independência política, as nações latino-americanas e caribenhas reuniram-se em torno de uma agenda própria, constituída a partir da identificação conjunta de prioridades e desafios regionais compartilhados.

A I Cúpula contou com a participação dos trinta e três países que compõem a América Latina e o Caribe: Antígua e Barbuda, Argentina, Bahamas, Barbados, Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Costa Rica, Colômbia, Cuba, Dominica, El Salvador, Equador, Granada, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Santa Lúcia, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas, Suriname, Trinidad e Tobago, Uruguai e Venezuela.



O tema central da CALC foi a integração e o desenvolvimento sustentável. Os Chefes de Estado e de Governo adotaram, ao final do encontro, a “Declaração de Salvador”, na qual os mandatários destacaram a importância da integração regional, da cooperação, do desenvolvimento sustentável, da erradicação da pobreza e da promoção da justiça social e da democracia.

Expressaram, ainda, preocupação com os efeitos das crises financeira, energética, alimentar e ambiental.

Reafirmaram a importância de manter o diálogo e a cooperação permanentes, a fim de fazer frente aos referidos desafios.

Na seção operativa da Declaração, decidiram adotar iniciativas com vistas ao fortalecimento da cooperação, à construção de posição comum sobre a crise financeira e à promoção da cooperação regional em energia e infra-estrutura.

Acordaram, ademais, promover o combate regional à fome e à pobreza, fomentar a cooperação em matéria de manejo sustentável de recursos naturais, incitar o desenvolvimento sustentável em âmbito regional e estimular a cooperação para a proteção dos direitos humanos na América Latina e no Caribe.

Os resultados da Cúpula incluíram, ainda, a adoção de cinco Declarações Especiais sobre as Ilhas Malvinas, o bloqueio econômico imposto a Cuba, apoio à solicitação do SICA para que o Panamá continue a receber os benefícios do SGP+, apoio à Bolívia e iniciativa da CALC frente à crise financeira mundial.



A Reunião Ministerial Preparatória para a II CALC realizou-se em novembro de 2009, na Jamaica, e aprovou o “Plano de Ação de Montego Bay”.

O Plano estabelece iniciativas concretas nas seguintes áreas: cooperação entre os mecanismos regionais e sub-regionais de integração; crise financeira internacional; energia; infra-estrutura; desenvolvimento social e erradicação da fome e da pobreza; segurança alimentar e nutricional; desenvolvimento sustentável; desastres naturais; e mudanças climáticas. 

Essa ampla agenda de cooperação foi assimilada no processo de constituição da CELAC e deverá ser implementada pelo novo organismo regional.

CELAC
A Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos – CELAC foi criada na “Cúpula da Unidade da América Latina e do Caribe”, realizada na Riviera Maya (México), em fevereiro de 2010, em histórica decisão dos Chefes de Estado e de Governo da região. 
A Cúpula da Unidade compreendeu a II Cúpula da América Latina e o Caribe sobre Integração e Desenvolvimento – CALC e a XXI Cúpula do Grupo do Rio.

A Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) tem origem na “Declaração da Cúpula da Unidade”, adotada pelos Chefes de Estado e de Governo da América Latina e do Caribe durante reunião de Cúpula realizada na Riviera Maya, México, em fevereiro de 2010.

Naquela ocasião, houve consenso em constituir um novo mecanismo de concertação política e integração, que abrigará os trinta e três países da América do Sul, América Central e Caribe. A CELAC assumirá o patrimônio histórico do Grupo do Rio (concertação política), cuja Secretaria de turno é exercida atualmente pelo Chile, e da CALC (desenvolvimento e integração), cuja presidência temporária é venezuelana.

A Declaração da Cúpula da Unidade da América Latina e do Caribe determinou ainda a constituição de um Foro Unificado como grupo de trabalho encarregado de redigir as regras de funcionamento do novo organismo. A convergência da CALC e do Grupo do Rio ocorrerá de forma gradual.

Ambos os mecanismos manterão suas agendas e métodos de trabalho paralelos até a conclusão do processo de construção da CELAC.


Para o Brasil, a CELAC deverá contribuir para a ampliação tanto do diálogo político, quanto dos projetos de cooperação na América Latina e Caribe. O novo mecanismo também facilitará a conformação de uma identidade própria regional e de posições latino-americanas e caribenhas comuns sobre integração e desenvolvimento.

A dimensão política da CELAC partirá da base construída pelo Mecanismo Permanente de Consulta e Concertação Política, estabelecido no Rio de Janeiro em 1986 e conhecido como Grupo do Rio.

 Concebido como instrumento de articulação política de alto nível, o Grupo do Rio atuou tradicionalmente na consolidação da democracia, tendo como pressuposto o bem sucedido trabalho diplomático dos Grupos de Contadora e de Apoio em favor da paz na América Central.

Sua interseção com a CALC é natural, uma vez que, por ser um foro de discussão política, o Grupo do Rio sempre prescindiu de atuação mais aprofundada na área econômica e de formas institucionalizadas de cooperação.


Os fundadores do Grupo do Rio resolveram delimitar seu escopo de atuação a reuniões de caráter informal, destinadas a servir como espaço exclusivamente político, apropriado para consultas, troca de informações e eventuais iniciativas conjuntas, decididas sempre por consenso.

Ao longo de mais de duas décadas, foram realizadas vinte Cúpulas, vinte e nove reuniões ministeriais ordinárias e três extraordinárias.  Sua temática foi aberta, tratando, em geral, de temas importantes para a região. Em suas mais recentes reuniões, o Grupo do Rio abordou questões como a promoção dos direitos humanos e o impacto das migrações.


O Grupo do Rio fortaleceu-se gradualmente como espaço presidencial privilegiado e como um mecanismo regional representativo da América Latina e do Caribe em relação a outros países e blocos.

Os contatos políticos institucionalizados do Grupo do Rio com terceiros promoveram o diálogo interregional entre autoridades do mais alto nível, com o intercâmbio de pontos de vista sobre importantes temas da agenda internacional.

Atualmente, são dezenove parceiros de diálogo com o Grupo do Rio, que devem ser herdados pela CELAC: União Européia, Conselho de Cooperação do Golfo, China, Rússia, Canadá, Índia, Japão, Coréia do Sul, ASEAN, Israel, Ucrânia, Liga Árabe, G-77, Grupo GUUAM (Geórgia, Ucrânia, Uzbequistão, Azerbaijão e Moldova), CEI, Austrália, EUA e União Africana.

II Cúpula da CELAC - Havana 2014

Nos dias 28 e 29 de janeiro de 2014 foi realizada a II Cúpula da CELAC em Havana, Cuba.
Nesta segunda cúpula, a CELAC se consolida como organização internacional e com uma  agenda própria para a América Latina.
A CELAC contempla atualmente 33 países da América Latina e não conta com a participação dos EUA e Canadá. 
“A Celac nasceu da ideia de que os países latino-americanos tinham condições de intervir e resolver os conflitos dentro da sua própria área”, explica o professor Tullo Vigevani, especialista em Relações Internacionais da Unesp e do programa San Tiago Dantas.

Essencialmente político
Nota-se, pelo caráter das pautas discutidas no bloco, que a Celac propõe-se a ser um grupo cujo papel é essencialmente político. “Uma agenda de baixa densidade”, como caracterizaria Vigevani. São poucos os avanços nos campos da economia, infraestrutura e energia, por exemplo. Contribui para isso o processo decisório do bloco: todas as resoluções precisam ser aprovadas por unanimidade, fazendo com que cada um dos 33 Estados-membros esteja investido de poder de veto.
“As decisões têm que ser tomadas por meio de muitas negociações e não podem enfrentar as convicções de nenhum país. Por isso, sempre representam a opinião média dos membros”, afirma Vigevani, mostrando que ainda há muitas contradições dentro da própria Celac. Um exemplo claro do consenso político é o repúdio público que todos os 33 membros fazem em relação ao bloqueio econômico imposto à ilha de Cuba pelos EUA.
Pela dificuldade de produzir consenso em meio a tantos e tão diversos países, a Celac opta por restringir sua atuação ao posicionamento político no continente. Abordar a questão do desenvolvimento econômico na região, por exemplo, traz consigo um alto grau de complexidade e particularidades que cerceiam seu debate: capacidade produtiva, fronteira tecnológica e competitividade.
O professor Tullo Vigevani lembra, contudo, que, para tentar resolver agendas como esta, existem os blocos sub-regionais do continente, dotados de maior especificidade e instrumentos de ação mais complexos. Entre eles: Mercosul, Unasul (União das Nações Sul-Americanas) e Alba (Aliança Bolivariana para as Américas).

Contraponto ao status quo?
De acordo com Vigevani, não é possível afirmar que a manutenção da Celac sustenta-se como uma oposição ao status quo da integração regional no continente, capitaneada sobretudo pelos Estados Unidos no foro da OEA (Organização dos Estados Americanos).
“A Celac consolida a ideia de uma articulação latino-americana sem a presença dos EUA e Canadá. Mas eu não chamaria isso de contraponto”, afirma, ao explicar que há muitos países da Celac que admitem a existência das duas frentes e negociam nos dois blocos.
Para Vigevani, a presença do secretário-geral da OEA em Havana a convite do bloco confirmaria essa interpretação. “Há um grupo de países — certamente não todos — que não está disposto a ter uma posição de enfrentamento perante a OEA.”
É a primeira vez que uma autoridade da OEA visita Cuba, desde que o país foi suspenso do bloco, em 1962. Há alguns anos atrás, em 2009, a OEA revogou a expulsão, mas Cuba optou por não retornar à entidade.     

fontes: (1)  MRE 
            (2) Opera Mundi

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