terça-feira, 2 de dezembro de 2014

[ Discursivas CACD ] Economia 2007: Teoria Clássica do Comércio e a Teoria Cepalina


Guia de Estudos CACD 2008
Prova de 2007 

Economia - Questão 1


Recorde seus estudos sobre evolução da análise econômica, noções de Economia Internacional e formação da economia brasileira. Contraste as implicações da teoria clássica do comércio e da teoria do desenvolvimento – esta associada à Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) – quanto à inserção de países em desenvolvimento na estrutura do comércio internacional.

Marcelo Azevedo de Araújo

"Formulada em reação ao pensamento mercantilista, a teoria clássica do comércio, em todas as suas vertentes, defende as vantagens do livre comércio. Para Adam Smith, um dos pioneiros dessa escola, a abertura de uma economia a trocas internacionais seria benéfica, na medida em que a ampliação de mercados possibilitaria o aprofundamento da divisão dotrabalho, estando nesse pensador já implícita a idéia de retornos crescentes de escala. 

O comércio, segundo Smith, deveria ocorrer com base na importação de produtos nos quais não se têm vantagens absolutas e na exportação de produtos nos quais se têm. 

Assim, a autarquia ocorreria no caso de um país possuir vantagens absolutas em todos os bens.

A teoria clássica do comércio, todavia, atingiu a maturidade com a obra de David Ricardo. Segundo o economista, mesmo que um país tivesse vantagens absolutas na produção de todos os bens, o livre comércio poderia ser vantajoso, pois deveriam ser considerados os custos relativos, ou seja, o custo de oportunidade de deixar de produzir um bem para produzir outro. 

Ganha relevo, dessa forma, o conceito de vantagem comparativa, que os países devem explorar, para obter ganhos de comércio. Ao especializar-se na produção dos bens nos quais possui vantagens comparativas, portanto, uma economia poderia trocá-los no mercado mundial, de forma a obter mais produtos nos quais não possuem essa vantagem do que poderiam produzir internamente. As diferenças de estruturas de custo internas são explicadas por meio da existência de distintos níveis de desenvolvimento tecnológico. 

O comércio é considerado benéfico sempre que dois países não possuem estruturas de custo iguais.

O modelo desenvolvido por Ricardo foi refinado por Heckscher e Ohlin, em cuja teoria as diferenças tecnológicas são substituídas pela dotação de fatores. Segundo esses economistas, um país deveria especializar-se na produção de bens cujo fator mais importante encontra-se de modo abundante no mercado interno.

De acordo com a teoria clássica, com efeito, seja qual for a sua vertente, os países em desenvolvimento deveriam inserir-se no comércio internacional como importadores de bens manufaturados e exportadores de produtos primários: conforme Smith, porque detêm vantagens absolutas na produção destes bens de baixo valor agregado (mão-de-obra barata, terras abundantes, etc.); conforme Ricardo, porque detêm vantagens comparativas (baixo custo de oportunidade para produzir esses bens em comparação com os países industrializados); e, conforme Heckscher e Ohlin, porque são vantajosamente dotados dos fatores necessários para a produção desses bens primários.

A teoria do desenvolvimento, contudo, tende a rejeitar esses argumentos, defendendo outro tipo de inserção internacional para os países periféricos. Segundo o pensamento de Raúl Prebisch, economista mais destacado da escola cepalina, o comércio internacional não seria sempre vantajoso para todos os países. De acordo com o autor, os países periféricos repassariam seus ganhos de produtividade para os países centrais em função da deterioração dos termos de troca (DTT).

Esse fenômeno possui, ao menos, duas explicações importantes. 

Em primeiro lugar, a DTT ocorreria porque os produtos primários são relativamente inelásticos à renda da demanda. Assim, na medida em que a renda mundial encontra-se em constante expansão, os bens primários tenderiam a perder valor relativo frente os industrializados, que não possuem essa inelasticidade. 

Em segundo lugar, a deterioração seria produzida pela maneira como se estruturaram os mercados de trabalho nas diferentes economias. Nos países centrais, a existência de fortes sindicatos faria que os aumentos de produtividade se traduzissem em aumento de salários. Nos periféricos, ao contrário, a existência de amplo setor de subsistência faria que o aumento da produtividade não pressionasse a remuneração da mão- de-obra, mas que comprimisse os preços dos produtos. 

Conclui-se, assim, que o comércio internacional se daria por meio de trocas desiguais, não-favoráveis aos países em desenvolvimento.

Com base nesse prognóstico, os economistas cepalinos defendem um modelo de inserção internacional bastante distinto dos economistas clássicos. De acordo com a teoria do desenvolvimento, deveriam as economias periféricas manter certo nível de protecionismo,para que se pudesse dinamizar o mercado interno, a fim de produzir bens de maior valor agregado. 

A própria adoção de um modelo de desenvolvimento endógeno, ao diminuir a produção para exportação e, portanto, reduzir a oferta externa de bens primários, deveria, ademais, contribuir para atenuar os efeitos negativos da deterioração dos termos de troca.

As diferentes maneiras como enfocam as trocas internacionais, com efeito, levam a teoria clássica e a teoria do desenvolvimento a fazer recomendações bastante distintas acerca da abertura ou do fechamento das economias em desenvolvimento."

fonte: Guia de Estudos IRB para o CACD 2008 




segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Russia and Japan making nice

Why Russia and Japan Are Making Nice

Rússia e China fecham acordo para aumentar laços militares


Rússia e China expandem seus laços estratégicos. Tanto na área político-militar como industrial
Defesa Net
20.nov.2014

China e Rússia comprometeram-se a fortalecer a cooperação militar bilateral e a promover exercícios navais conjuntos para conter a influência dos EUA na região da Ásia-Pacífico, em meio a um coro cada vez maior de vozes alertando para a aproximação de uma "nova Guerra Fria".
Durante visita a Pequim, onde se encontrou com seu homólogo chinês e com o primeiro-ministro do país, Li Keqiang, o ministro da Defesa da Rússia, Serguei Shoigu, disse que os dois lados expressaram "preocupação com as tentativas dos EUA de reforçar sua influência política militar na região da Ásia-Pacífico", segundo noticiaram as mídias estatais chinesa e russa.
"Nossa cooperação nas esferas militares tem grande potencial e o lado russo está pronto para desenvolvê-lo ao longo do espectro de áreas mais amplo possível", disse Shoigu. "Vemos a formação de um sistema de segurança regional coletivo como objetivo primário de nossos esforços conjuntos".
A delegação russa também traçou um paralelo entre as demonstrações pró-democracia em Hong Kong e as chamadas "revoluções coloridas" em ex-repúblicas soviéticas, como a Ucrânia, que China e Rússia sustentam ter sido instigadas pelos EUA e seus aliados.
Anatoly Antonov, vice-ministro da Defesa russo, deu a impressão de que a Rússia estaria disposta a ajudar Pequim a eliminar os protestos pacíficos em Hong Kong.
"Tomamos nota dos eventos que aconteceram recentemente em Hong Kong e os dois ministros reconheceram que nenhum país pode se sentir seguro contra as revoluções coloridas", disse Antonov, de acordo com a mídia estatal russa. 
"Acreditamos que a Rússia e a China deveriam trabalhar juntas para opor-se a esse novo desafio à segurança de nossos Estados."
Os dois lados acertaram realizar exercícios navais - o que acontecerá pela quarta vez nos últimos anos - no Mediterrâneo na próxima primavera setentrional, e também no Pacífico.
Num momento em que os combates se intensificam no leste da Ucrânia e os vizinhos da Rússia se preocupam com a crescente beligerância de Moscou, Pequim descreveu as relações sino-russas como as melhores que já tiveram.
A situação na Europa levou o ex-líder soviético Mikhail Gorbatchov a advertir na semana passada que o mundo está à beira de uma nova Guerra Fria, sentimento compartilhado por autoridades bielorrussas na terça-feira.
Diante da perspectiva de novas sanções ocidentais, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, busca aproximar-se da China para demonstrar que tem opções econômicas e estratégicas e que não está isolado no cenário mundial.
Os dirigentes autoritários da China deram as boas-vindas às aberturas, num momento em que elevam o tom de suas reivindicações territoriais no mar do Leste da China e no mar do Sul da China, e tentam confrontar vizinhos de menor porte e o Japão, seu inimigo na Segunda Guerra Mundial.
Mas ambas as partes continuam cuidadosas em se aproximar demais e têm dificuldades em superar uma longa história de desconfiança e desprezo mútuos, segundo especialistas chineses e ocidentais que monitoram o relacionamento. 
Apesar de se falar muito em estreitamento de laços militares e em manobras conjuntas, a Rússia até o momento se recusou a vender sua tecnologia militar mais avançada, como motores de jato e caças, à China. 
Pequim tentou contrabalançar sua aproximação com Moscou com uma maior colaboração com os Estados Unidos e seus aliados, enquanto Putin buscou intensificar as relações com Tóquio, para desalento da China.
Na mesma hora em que Shoigu se reunia com seu colega chinês Chang Wanquan, na terça-feira, uma alta autoridade do Partido Comunista Chinês visitava a Finlândia, que está em estado de alto alerta para o menor sinal de invasão da parte da Rússia.
Ao mesmo tempo, uma delegação do mais alto nível da Coreia do Norte se reuniu com Putin no Kremlin, em meio a especulações de que o dirigente do país, Kim Jong Un, faria sua primeira visita externa como líder à Rússia, e não à China, sua tradicional aliada.
Autoridades chinesas dizem que os laços entre Pyongyang e Pequim chegaram a seu ponto mais baixo de todos os tempos desde que Kim assumiu o país ermitão.
Durante a visita do ministro da Defesa, a Agência Espacial Federal da Rússia também discutiu uma cooperação mais estreita com a China, que está interessada em montar motores de foguete russos e em integrar os projetos de exploração espacial tripulada, de sensoriamento remoto e de satélite de navegação, segundo a mídia estatal russa.

Nota DefesaNet

Os acordos entre os dois ministros de defesa da Rússia e da China seguem-se após amplos acordos de colaboração tecnológica firmados durante o China Air Show. O acordo inclui participação dos dois países em mísseis, aeronaves militares, helicópteros, eletrônica e outros sistemas militares avançados.

fonte: Defesa Net 

Sob pressão, secretário de Defesa dos EUA renuncia

Há dois anos no cargo, Chuck Hagel estava sob críticas envolvendo as campanhas americanas no Afeganistão e contra o grupo extremista "Estado Islâmico". 
Sucessor ainda não foi revelado.


O secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, renunciou, anunciaram autoridades americanas nesta segunda-feira (24/11). 

Após dois anos no cargo, ele vinha recebendo fortes críticas pelas campanhas no Afeganistão e contra o grupo extremista "Estado Islâmico" (EI), no Iraque e na Síria.

Hagel, de 68 anos, confirmou sua renúncia após longas discussões com o presidente Barack Obama, iniciadas em outubro. Obama aceitou a saída do secretário e deve fazer um anúncio oficial ainda nesta segunda-feira.

"Um sucessor será nomeado em breve, mas o secretário Hagel seguirá como secretário de Defesa até que sua substituição seja confirmada pelo Senado", disse um oficial da administração Obama.

A Casa Branca não deu pistas de quem pode vir a ocupar o cargo, mas o The New York Timesapontou três candidatos: Michele Florunoy, ex-subsecretária de Defesa; Jack Reed, senador de Rhode Island e ex-militar; e Ashton Carter, ex-vice-secretário de Defesa.

Ainda como senador republicano, Hagel votou a favor da invasão do Iraque, em 2003. Mais tarde, ele passou a criticar o longo conflito que se seguiu. No ano passado, foi encarregado por Obama de supervisionar a retirada das forças americanas do Afeganistão.

A experiência de Hagel como senador e veterano da Guerra do Vietnã foi vista como um ponto forte quando ele assumiu o cargo de secretário de Defesa, mas suas aparições públicas muitas vezes pareceram desajeitadas ou abaixo do esperado em meio à luta do governo dos EUA para se adaptar a novos conflitos.
LPF/afp/rtr

UPDATE: Abaixo você confere o pronunciamento oficial do ex-secretário de Defesa Chuck Hagel, divulgado hoje na página oficial do Departamento de Defesa americano.
 
Tradução e adaptação – Nicholle Murmel

Aos homens e mulheres do Departamento de Defesa:

Eu gostaria de aproveitar esta oportunidade para informar a vocês que nesta manhã o presidente Obama aceitou minha carta de demissão. Concordei em permanecer servindo como Secretário de Defesa até que meu sucessor seja confirmado pelo Senado dos Estados Unidos.

Vocês precisam saber que não tomei essa decisão facilmente. Mas após muita discussão, o president e eu concordamos que agora é o momento certo para uma nova liderança aqui no Pentágono.

Quero que todos vocês saibam que estou imensamente orgulhoso do que realizamos juntos. Preparamos a nós mesmos, preparamos nossos aliados e as Forças Nacionais de Segurança afegãs para uma transição bem-sucedida no Afeganistão. 

Assumimos o combate contra o ISIL e, com nossos parceiros da coalizão e no Iraque, contivemos o ímpeto desse inimigo selvagem. Viemos ao socorro de milhões de pessoas ao redor do mundo, as quais sofreram  com a devastação por desastres naturais e doenças. 

Trabalhamos incansavelmente para sustentar nossa força totalmente voluntária que deu tanto de si ao longo de 13 anos de guerra. 

Apoiamos alianças duradouras e fortalecemos parcerias emergentes, ao mesmo tempo em que colocamos em movimento reformas importantes que vão preparar esta instituição para os desafios a serem enfrentados nas próximas décadas.

E o mais importante, nós ajudamos a manter este país e nossos cidadãos seguros. Mantivemos a bênção da liberdade que nossos ancestrais garantiram, e mantivemos os votos que assumimos.

Esse trabalho continuará. Precisa continuar. O mundo ainda é muito perigoso, as ameaças são numerosas demais para perdermos o foco. E assim como prometi ao president meu total apoio, também prometo trabalhar duro para apoiar vocês até meu último dia no cargo. Eu lhes devo isso.

Mais tarde haverá tempo para despedidas. Agora, por favor, saibam o quanto eu respeito e admiro o serviço de vocês e de seus familiares. Enquanto me reúno com minha própria família nesse feriado do Dia de Ação de Graças – um luxo que eu sei que nem todos vocês terão – o privilégio de ter trabalhado com vocês nesses últimos dois anos será aquilo pelo que eu mais serei grato.

Obrigado por tudo o que vocês fazem por este país. Deus os abençoe. Feliz Dia de Ação de Graças.

fonte: Defesa Net

domingo, 23 de novembro de 2014

Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança completa 25 anos

Tratado da ONU criado em 1989 resultou em progressos, mas ainda há muito a ser feito, apontam especialistas. Pobreza e desnutrição continuam sendo grandes desafios e a principal causa de mortalidade infantil.

Um quarto de século depois da adoção da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança das Nações Unidas, 2014 pode ser considerado um ano especial. Pela primeira vez, dois ativistas desses direitos ganharam o Prêmio Nobel da Paz: a paquistanesa Malala Yousafzai e o indiano Kailash Satyarthi.
Malala luta pelo direito das meninas à educação. Aos 17 anos, ela não é apenas a mais jovem vencedora do Nobel de todos os tempos, mas também a primeira e única menor de idade a receber a homenagem até hoje. Yousafzai, de 60 anos, dedicou sua vida à luta contra o trabalho infantil.
"Esta é uma expressão clara de uma nova visão sobre as crianças, um distanciamento da velha imagem que as mostra apenas como pessoas a serem protegidas", afirma o especialista em direito da criança Nigel Cantwell. Ele foi um dos responsáveis pela criação da Convenção sobre os Direitos da Criança, em novembro de 1989.
"Hoje, já se sabe que crianças são capazes de dar sua própria contribuição e que elas devem ser levadas a sério em seu engajamento pelos direitos humanos infantis", diz.
Cantwell aponta que a noção de que crianças não são objetos de educação dos pais e de caridades bem-intencionadas, e sim indivíduos com direitos próprios claramente definidos, ainda não é algo considerado óbvio.
"Esta falta de compreensão evidencia fortemente como a Convenção sobre os Direitos da Criança era algo necessário", acredita. "Aqueles que redigiram e ratificaram as convenções de direitos humanos existentes anteriormente nunca teriam imaginado que seriam aplicadas a crianças. Não há, de fato, limites mínimos de idade para a aplicação das outras convenções, mas ninguém realmente pensou nas crianças. Isto reflete exatamente como era a percepção delas na época. Quanto a seus direitos, elas eram quase inexistentes."
Em 54 artigos, a convenção compromete os Estados signatários a proteger crianças contra discriminação, exploração, abuso e violência. 
A convenção estabelece expressamente que todas as crianças do mundo, além do direito a um início de vida saudável, também têm o direito de ir à escola e de explorar seu potencial de desenvolvimento intelectual e físico. Em todas as medidas que afetam crianças, elas têm direito a manifestar sua própria opinião e devem ser ouvidas. O bem-estar da criança sempre deve ser prioridade.
Progressos em 25 anos
Agora, 25 anos após a adoção da convenção, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) questiona os progressos realizados. Será que o mundo é um lugar melhor hoje do que era para as crianças em 1989? A resposta dos especialistas é um sonoro "sim", com algumas ressalvas.
"Há áreas em que foram feitos progressos significativos", avalia Nicolette Moodie, do escritório do Unicef em Genebra. "Nas áreas de saúde e educação, por exemplo, o progresso tem sido considerável, mesmo que na educação a coisa não tenha evoluído muito nos últimos anos.".
Um bebê nascido em 2014 tem, de acordo com o Unicef, chance muito maior de completar os cinco anos do que há 25 anos. 
Graças a vacinas e à melhoria da assistência médica, a mortalidade infantil caiu quase pela metade desde 1990. Mas 17 mil crianças ainda morrem por dia, a maioria delas vítimas de doenças que podem ser prevenidas.
De acordo com o Unicef, pobreza e desnutrição são as principais causas de morte infantil. Por isso, a entidade vê a redução da miséria como uma das metas mais importantes. E nesta área, também são registrados progressos: a quantidade de pessoas nos países em desenvolvimento que vivem em extrema pobreza caiu pela metade. 
Enquanto em 1990 quase metade dos moradores de países em desenvolvimento vivia em situação de extrema pobreza, em 2010, esse número sequer chegava a um quinto deles.
"Mas as crianças estão desproporcionalmente representadas entre os mais pobres", reconhece Moodie. "Vvemos aqui diferenças significativas, de acordo com renda, etnia, deficiência ou não deficiência."
Também no que concerne à proteção das crianças, os progressos nos últimos 25 anos não foram tão pronunciados. "Nas áreas de violência contra crianças, trabalho infantil e casamentos de crianças, vê-se um progresso lento. Contra o trabalho infantil, não é possível simplesmente administrar uma vacina. Aqui, as medidas são muito mais complexas de ser implementadas."
Metas do Milênio ajudaram
Segundo especialistas, a Convenção sobre os Direitos da Criança tem sido fundamental para melhorar as condições básicas globais para as crianças. Mas a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU também tem desempenhado um papel importante. 
A comunidade internacional se comprometeu, no ano de 2000, com metas ambiciosas na luta contra a pobreza e acesso à alimentação, saúde e educação até 2015.
"Conseguimos implementar as metas mais facilmente alcançáveis", lembra Nicolette Moodie, da Unicef, um ano antes do grande balanço oficial de encerramento dos objetivos. 
"Mas não conseguimos alcançar os mais pobres e marginalizados. E é exatamente aqui que a Convenção sobre os Direitos da Criança e seu princípio de não discriminação nos mostra o caminho que devemos tomar para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Temos que cuidar intensamente daqueles que ainda não atingimos."
A Convenção sobre os Direitos da Criança é uma das mais bem-sucedidas na história da ONU: nenhum tratado de direitos humanos foi aceito pelos países do mundo de forma tão rápida e abrangente. Ela entrou em vigência em 1990, tendo sida ratificada por 194 países até agora, com exceção apenas de Estados Unidos, Somália e Sudão do Sul.
Considerando o apoio quase universal, o mundo é, pelo menos no papel, um paraíso infantil. Entretanto, a realidade de milhões de crianças ainda é marcada por crises humanitárias, violência e pobreza.
Com o martelo na mão
"Há 25 anos, certamente havia uma pressão moral para assinar a convenção", acredita Cantwell. Segundo ele, isso decorre do fato de que, em todo o mundo, as crianças têm um lugar especial na consciência pública, e é mais fácil mobilizar esforços para projetos de crianças do que para ajudar refugiados, por exemplo. 
Na vida cotidiana, no entanto, a implementação dos direitos das crianças requer um esforço contínuo.
No início deste ano, a Comissão dos Direitos da Criança da ONU gerou manchetes em todo o mundo ao fazer perguntas persistentes à delegação do Vaticano na ONU sobre o abuso de crianças por padres católicos.
A convenção estabelece que todos os Estados se submetam regularmente à avaliação de uma comissão de peritos independentes em direitos das crianças e relatar a cada cinco anos os progressos e dificuldades na implementação desses direitos em seu território.
Nas avaliações realizadas em cada país, a sociedade civil tem amplas oportunidades de participar. Cada vez mais, crianças praticam seu direito de liberdade de expressão e de serem ouvidas.
"A força potencial da Convenção sobre os Direitos da Criança é enorme", destaca Cantwell. "Ela é um instrumento, uma ferramenta que você precisa para operar corretamente. Um martelo sozinho não consegue pregar um prego. Você tem que pegar o martelo na mão e bater no prego. E é exatamente isso que é preciso fazer com a convenção. É preciso conhecê-la e colocá-la em prática."

Infográfico SobreDiplomacia - Os 10 maiores parceiros comerciais do Brasil em 2013


Com o assunto sobre as dificuldades de se alcançar o superávit da balança comercial em pauta nos últimos dias, resolvi escrever um artigo sobre o tema resgatando o principais parceiros comerciais do Brasil em 2013, bem como os saldos comercias brasileiros mais recentes. 

No entanto, ao começar a pesquisar sobre o assunto, me deparei com o ótimo post do Leonardo no SobreDiplomacia e resolvi repercuti-lo na íntegra, entendendo que o assunto estaria mais do que bem desenvolvido. 

Espero que o Leonardo se sinta mais homenageado, e menos incomodado ao eu ter "chupinhado" o excelente trabalho dele. 

Abraços ao Leonardo e boa leitura !

OS 10 MAIORES PARCEIROS COMERCIAIS DO BRASIL EM 2013






















Nossos 10 maiores parceiros são bem diversificados, estendendo-se por quatro continentes: América, Europa, África e Ásia. Desde 2009, a China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil, ultrapassando os Estados Unidos. 

Alguns países são tradicionalmente importantes para o Brasil e não surpreendem por estarem na lista, tais como Alemanha, Argentina, Holanda (por conta da UE e do porto de Roterdã), Itália e Japão. Surpreende, contudo, a inclusão da Coréia do Sul, do México e da Nigéria. Esta última, sobretudo, em virtude das importações de petróleo. 

Nota-se, pois, que é a Nigéria e não a África do Sul o nosso principal parceiro comercial africano. Por fim, destaca-se em décimo lugar o México, que desbancou a França (11ª da Lista).

Quanto a questão dos saldos comerciais, vislumbramos que com os Estados Unidos temos um dos maiores déficits comerciais. Temos também resultados negativos com  Alemanha, Coréia do Sul,  Itália e México. Sem dúvida, um dos nossos maiores saldos é com a Holanda e com a China. A balança comercial com o Japão, por sua vez, é bastante equilibrada. 

Quanto ao nosso vizinho platino, percebemos a importância do Mercosul para o comércio nacional, colocando a Argentina como nosso terceiro maior parceiro comercial.


TOTAL DO COMÉRCIO DO BRASIL EM 2013



  

Embora continuemos a ter resultado positivo na diferença entre Exportações e Importações, o saldo de 2013 foi o menor desde 2000, quando tivemos um saldo de US$ -731.743.273. (Gráfico abaixo).



O CASO DA UNIÃO EUROPEIA





Vista como bloco, a UE é nosso principal parceiro comercial, ficando bem a frente da China. No entanto, enquanto que com o gigante asiático temos resultado positivo na balança comercial; com a UE, temos um déficit comercial de quase 3 bilhões de dólares.

fonte: SobreDiplomacia 

[ Discursivas CACD ] Economia 2009: Perspectiva Marginalista sobre o Mercado de Trabalho



























Guia de Estudos CACD 2010

Prova de 2009 

Economia - Questão 3



De uma perspectiva neoclássica ou marginalista do mercado de trabalho (em que famílias e firmas maximizam respectivamente a utilidade e o lucro, sujeitas a restrição orçamentária e a uma tecnologia de produção com rendimentos marginais decrescentes), explique como podem ser definidos os seguintes elementos:

a) demanda por trabalho;
b) oferta de trabalho;
c) salários reais e nível de emprego.


Em Formação Econômica do Brasil, Celso Furtado observa os impactos diferenciados da abolição da escravatura nas diversas regiões econômicas do Brasil. Em relação à atividade cafeeira, afirma o seguinte: A situação favorável, do ponto de vista das oportunidades de trabalho, que existia na região cafeeira, valeu aos antigos escravos liberados salários relativamente elevados. Com efeito, tudo indica que na região do café a abolição provocou efetivamente uma redistribuição da renda em favor da mão-de-obra. Sem embargo, essa melhora na remuneração real do trabalho parece haver tido efeitos antes negativos que positivos sobre a utilização dos fatores. [...] Dessa forma, uma das consequências diretas da abolição, nas regiões em mais rápido desenvolvimento, foi reduzir-se o grau de utilização da força de trabalho.

Celso Furtado. Formação Econômica do Brasil. 22. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1987, p. 140.

d) Com base em seus conhecimentos sobre mercado de trabalho, explique os argumentos apontados por Furtado para a situação descrita acima.

BERNARDO MACKE 

"a), b) e c) Tendo em vista a perspectiva neoclássica acerca do mercado de trabalho, percebe- se que esse pode ser representado por um gráfico, cujo eixo “y” indica o nível de salários e cujo eixo “x” corresponde ao número de trabalhadores. 

A oferta de trabalho, nesse modelo, é dada por uma curva positivamente inclinada, segundo a qual maiores salários representam maior oferta de trabalho. Essa relação é convalidada pela idéia de que a oferta individual de trabalho é determinada pelo custo de oportunidade do trabalho face ao ócio.

Com salários mais altos, o efeito substituição versa que os indivíduos optarão por maior quantidade de trabalho, caso o trabalho seja bem normal ou bem inferior. Além disso, pelo efeito renda, encontra-se que a oferta de trabalho aumentará pela mudança nas utilidades relativas de salário e de ócio, caso trabalho for bem normal ou bem inferior. 

Isso ocorre, mesmo que em menor magnitude, pois haverá o predomínio do efeito substituição sobre o efeito renda, por definição, em hipótese de bem inferior. 

Por fim, caso o trabalho for considerado bem de Giffen pelo indivíduo, haverá o predomínio do efeito renda, de modo que a compensação por mais trabalho não será capaz de suprir a perda em utilidade total que se geraria com a diminuição do nível de ócio. 

Ocorreria, assim, a inversão da curva da oferta de trabalho a partir de determinado nível de salários (W) em que a oferta diminuiria à medida que W aumentasse.

A demanda por trabalho é dada, por sua vez, por uma curva negativamente inclinada. 

Essa curva corresponde ao preço da produtividade marginal do trabalho (P.PMgL), a qual é decrescente em situações em que os demais fatores de produção forem fixos, como é a premissa do neoclassicismo em relação ao curto prazo. 

O nível de emprego seria dado pelo ponto em que as duas curvas se encontrassem, correspondendo ao ponto de equilíbrio do modelo. Assim, P.PMgL=W, de modo que, para baixas produtividades do trabalho, haveriam baixos salários em preços constantes do produto. 

O nível de emprego seria encontrado, portanto, quando os salários igualassem a produtividade de um trabalhador adicional vezes o preço do produto.

Os salários reais seriam, portanto, um reflexo da produtividade marginal do trabalho, visto que o aumento no nível geral de preços implicaria tão-somente em elevação dos salários nominais. 

Aumentos ou reduções na produtividade marginal do trabalho são, assim, as formas de alteração dos salários reais, entendidos como função da PMgL.


d) Na lavoura cafeeira paulista, após a Abolição, a redução no grau de utilização da força de trabalho, junto a salários relativamente elevados, pode ser explicada pelo aumento da produtividade marginal do trabalho, a qual se pode presumir maior no trabalho livre (onde há contrapartida) do que na escravidão (na qual o trabalhador equivale a parte do capital). 

Como tal fenômeno se verificou nas regiões mais dinâmicas, pode-se inferir, também, que a razão entre trabalho e capital foi marcada por elevação dos investimentos técnicos, que, a cada unidade de trabalho, logram maior produtividade “coeteris paribus”. 

Outra explicação, não concorrente, mas complementar, é a fraqueza do efeito substituição na oferta de trabalho, com a presença de maior utilidade relativa do ócio em relação aos salários. 

Esse elemento explicaria, portanto, a menor elasticidade da oferta de trabalho e o reflexo de elevação salarial por parte da oferta."

fonte: Guia de Estudos IRB para o CACD 2010 

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